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Um acordo científico entre a maior agência de pesquisa da europa com o governo brasileiro: parece sonho, mas é uma realidade constante na vida de muitos químicos no Brasil.

Centenas de estudantes brasileiros fazem ou já fizeram seus estudos nos mais avançados laboratórios do mundo graças a este acordo. E o departamento de química da UFSC não fica atrás: dois de nossos docentes são participantes ativos deste programa, levando o nome de nossa instituição para além-mares!!

O programa COFECUB - Comité français d’évaluation de la coopération universitaire avec le Brésil - já existe há algumas décadas, mas foi somente na última que este realmente decolou. A cada ano, centenas de projetos de colaboração franco-brasileira são aprovados, em todas as áreas da ciência. A química é um destaque: é a área que mais possui projetos aprovados.

O Brasil não é amparado por nenhum outro acordo de colaboração científica internacional nos moldes do COFECUB. Isto graças à visão única dos franceses: eles vêem nos brasileiros cientistas brilhantes, aptos, mas que ainda precisam de ajuda para que seu potencial seja amplamente desenvolvido. Então, unindo a ginga brasileira com o dinheiro e o savoir-faire francês, a pesquisa científica só tem a ganhar.

O programa COFECUB é antigo: o comitê foi fundado em 1978. Desde lá, o governo investe mais de 1 milhão de euros por ano unicamente para auxiliar pesquisadores brasileiros que trabalham em solo francês. Mas o program é bi-lateral: logo formaram-se três parcerias com organismos brasileiros. Trata-se do acordo CAPES-COFECUB, do FAPESP-COFECUB e do USP-COFECUB (como vemos, São Paulo é um estado privilegiado, pois conta com os 3 acordos!). Neste caso, o governo brasileiro também suporta a vinda de pesquisadores franceses ao Brasil. Nosso departamento, por exemplo, já recebeu a visita de vários pesquisadores franceses, motivando a construção de muitos projetos em conjunto e enriquecendo a formação cultural de nossos alunos.

O programa funciona assim: um grupo de pesquisadores brasileiros se une e escreve um projeto para o COFECUB, em conjunto com um grupo de pesquisadores franceses. Uma vez aprovado o projeto, que tem duração de até 4 anos, estes grupos passam a ter vários benefícios, como:

1. Passagens aéreas internacionais para brasileiros em missão na França ou franceses em missão no Brasil
2. Diárias para franceses em missão de trabalho no Brasil ou para brasileiros em missão na França (a diária é cerca de € 110 e as missões podem durar até 60 dias, dependendo do acordo)
3. Bolsas para brasileiros em missão de estudos na França (doutorado, postdoc e sandwich)
4. Custeio de atividades correntes para a equipe brasileira (leia-se dinheiro!).
5. Facilidades na hora de conseguir o visto de estudante ou cientista na França.

Nunca foi tão fácil, portanto, estudar na europa. Só de nosso departamento, cerca de 10 alunos já partiram para a França em seus doutorados ou postdocs nos últimos 5 anos. Atualmente, 3 pesquisadores de nosso departamento encontram-se em solo francês. Todavia, mesmo com tanta regalia, poucos de nossos docentes se interessaram por este programa e, até agora, apenas 2 fazem parte de projetos em andamento. Talvez o maior obstáculo seja a falta de informação ou a dificuldade de se encontrar um parceiro francês para a submissão de um projeto. Entretanto, outros docentes já estiveram em missões de trabalho e/ou estudo na França, mesmo sem contar com o COFECUB.

Resultando desta colaboração intensa, o departamento de química da UFSC foi sede, no ano passado, do primeiro encontro franco-brasileiro em polímeros. Um grande sucesso, o FBPOL2005 atraiu pesquisadores e estudantes de todos os cantos do país, bem como dezenas de pesquisadores de praticamente todas as grandes cidades da França. O evento foi tão importante que, durante este, já foi agendado um novo encontro, o FBPOL2008, que também irá acontecer aqui em Florianópolis. Desta forma, o nosso departamento vem consolidando uma reputação internacional na àrea de polímeros e trás consigo o Brasil, que deixa lentamente de ser apenas uma colônia na ciência e torna-se expressivo mundialmente. Várias novas colaborações franco-brasileiras foram firmadas durante o evento, sendo que juntamente este era seu objetivo principal.

Os números são grandes: somente no acordo CAPES-COFECUB, 122 projetos estão atualmente em vigência, sendo que mais de 10% são da área de química. Cada projeto envolve dezenas de pesquisadores, o que gera um número de 4 dígitos se contarmos o número total de cientistas envolvidos em projetos CAPES-COFECUB somente em 2006!

Uma vez na França, o pesquisador ou o estudante brasileiro tem todas as regalias comum aos franceses. É possível, por exemplo, submeter proposals para o LNLS, o maior síncrotron do mundo, permitindo a nós fazer pesquisa realmente de ponta, com material tupiniquim e equipamentos europeus. Ainda, como o COFECUB pertence à EGIDE (um organismo de colaboração internacional da França), o pesquisador brasileiro passa a integrar a rede de pesquisa européia, podendo fazer experimentos em qualquer instalação da europa, não ficando limitado somente ao solo francês.

E nem mesmo o idioma é uma barreira: a língua oficial dos projetos COFECUB é o inglês. Assim, qualquer estudante ou pesquisador brasileiro pode desfrutar dos benefícios desta colaboração sem ter que aprender um novo idioma. Todavia, a maior parte das instituições francesas oferecem, gratuitamente, cursos de francês para os estudantes brasileiros envolvidos neste acordo. E, ainda, ao obter um diploma francês de doutorado, por exemplo, este é automaticamente válido também no Brasil - devido ao acordo vigente.

Mas os benefícios do envolvimento em um projeto COFECUB não se resumem a atividades na França, não. A concórdia entre brasileiros, na hora de submeter o projeto, acaba gerando novas colaborações também nacionais; por exemplo, nosso departamento passou a ter colaboração efetiva com a EMBRAPA e com o DEMA (UFSCar) graças ao COFECUB. Da mesma maneira, intesificam-se as colaborações de nosso departamento com o LINDIM, um laboratório da UFRGS. Paralelamente, o mesmo ocorre entre pesquisadores franceses que, muitas vezes, passam a colaborar entre si somente após o envolvimento em um projeto COFECUB comum.

A esquadrilha da fumaça brasileira sobrevoando o arco do triunfo, em ParisAs colaborações franco-brasileiras, entretanto, vão além do organismo COFECUB. No ano passado, o Brasil foi homenageado pela França, com a temporada cultural Brésil, Brésils. Foi um acontecimento que resultou em um enorme candeirão cultural, artístico e econômico do Brasil na França. De acordo com André Midani, o organizador brasileiro deste Ano do Brasil na França, o evento foi um sucesso: "foi a perda da virgindade que o país tinha de se mostrar ao mundo", disse ele em entrevista recente à revista da CCFB - Câmera de Comércio França-Brasil. A imagem do Brasil foi exposta em 161 cidades francesas, onde ocorreram 436 eventos oficiais, indo desde a apresentação de grupos de capoeira a desfiles da esquadrilha da fumaça. O grupo Casino, uma das maiores redes de supermercados da França, passou a vender produtos tupiniquins, como farinha de mandioca e guaraná. Em muitos restaurantes e praças ocorreram repetidos shows de mulatas, o mais legítimo produto brasileiro. A imagem do Cristo Redentor ficou projetada sobre a Notre-Dame durante várias noites, em Paris. A Torre Eiffel se iluminou com as cores do Brasil. E, para o comércio, foi excelente: houve um aumento de quase 20% nas exportações do Brasil para a França somente na primeira metade de 2005, o que representa uma cifra de quase um quarto de bilhão de euros.

É nessa atmosfera que o cientista brasileiro integrante de um projeto COFECUB é recebido na França. Se sempre houve uma simpatia dos franceses para conosco, agora é ainda mais intensa. Então, se você é um estudante, pergunte ao seu orientador se ele está envolvido em algum projeto COFECUB. Se não, incentive-o a participar desta bela e rara oportunidade que temos. Desta forma, a ciência no Brasil só tende a crescer; e sem depender dos míseros trocados que nosso governo investe em C&T.

Clique e saiba mais:


Programa COFECUB
http://www.egide.asso.fr/cofecub

Acordo CAPES-COFECUB
http://www.capes.gov.br/capes/portal/conteudo/10/CAPES_COFECUB.htm

Organismo EGIDE
http://www.egide.asso.fr/

Câmera de Comércio França-Brasil:
http://www.ccfb.com.br

FBPOL2005
http://www.qmc.ufsc.br/fbpol2005

CENDOTEC - Centro franco-brasileiro de documentação técnica e científica
http://www.cendotec.org.br/

Ministére des Affaires Étrangères - France.dipolomatie
http://www.diplomatie.gouv.fr/fr/

Ano do Brasil na França (Saison Brèsil, Brèsils)
http://www.fernandalevy.com/portugues/anobrasilfranca.htm


Confira alguns projetos de química que estão ocorrendo agora, em 2006:
Marseille & Curitiba

Faculté des Sciences de Luminy
Coordenador Brasileiro do Projeto: Nadia Krieger, UFPR
Tópico: Engenharia de Lipases por Evolução Molecular Dirigida para Utilização em Biocatálise

Grenoble & Porto Alegre

Laboratoire SPECTRO - UJF - Grenoble.
Coordenador Brasileiro do Projeto: Nadia P. da Silveira, UFRGS
Tópico: Síntese de Polímeros Líquidos Cristalinos Termotrópicos e sua Caracterização em Estado não Confinado , em Aerogéis de Silício Nanoestruturados e em Solução Concentrada

Talence & São Carlos

Laboratoire Chimie des Substances Végétales - U. Bordeaux I - Talence.
Coordenador Brasileiro do Projeto: Elisabete Frollini, USP
Tópico: Fotoquímica de Fibras Lignocelulósicas
:desenvolvimento de painéis fotoestáveis e compósitos reforçados com fibras naturais

Paris & Belo Horizonte

Univeristé Paris-Sud 11
Coordenador Brasileiro do Projeto: Humberto Osório Stumpf, UFMG
Tópico: Nanomagnetismo Molecular: Síntese e estudo das Propriedades de Nanofios Magnéticos

Paris & Maceió

École Nomale Supérieure, Paris
Coordenador Brasileiro do Projeto: Marilia Oliveira Fonseca Goulart, UFAL
Tópico: Estudos bioeletroquímicos de quinonas, diazoderivados e quinonametídeos. Emprego de
estratégias eletroquímicas e ultramicroeletroquímicas na elucidação de mecanismos de ação farmacológica in vitro e in
vivo. Eletroquímica de organometálicos quirais.

Lyon & Recife

Université Claude Bernard, Lyon
Coordenador Brasileiro do Projeto: Sebastião José de Melo, UFPE
Tópico: Pirimidinas e 1,2,4-oxadiazóis contendo uma unidade de carboidrato: Síntese e Atividades
Biológicas.

Bordeaux & Florianópolis

Ecole Nationale Supérieure de Chimie et de Physique de Bordeaux
Coordenador Brasileiro do Projeto: Luiz Antônio Pessan, UFSCar
Professores da quimica.UFSC envolvidos: Valdir Soldi e Edson Minatti
Tópico: Síntese e caracterização de polímeros naturais, copolímeros e polímeros condutores para o desenvolvimento de novos materiais nanoestruturados.

Paris & Recife

Université Paris XII
Coordenador Brasileiro do Projeto: Marcelo Navarro, UFPE
Tópico: Estudo de reações eletroquímicas diretas e indiretas para formação de ligações C-C e C-heteroátomo.

Strasbourg & Porto Alegre

Université Louis Pasteur - ULV
Coordenador Brasileiro do Projeto: Jairton Dupont, UFRGS
Tópico: Paladaciclos e rutenaciclos como precursores catalíticos assimétricos.

 



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