A página da Química!QMCWEB
A página da Química
Florianópolis
, 20.03.2000
Ano 1 Número 24 arquivo
Departamento Química - UFSC
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A química para uma melhor qualidade de vida!Fake Fats:
A química dos produtos Fat FREE!
Colaboração: Profa. Marina Uieara

Você já fez alguma dieta para perder peso? Se sim, já deve ter passado fome. Como privar-se de deliciosas batatas fritas, de saborosas maioneses, bolos apetitosos ou sorvetes provocantes? Pois a química traz uma boa notícia: os "fake fats", compostos que apresentam muitas das propriedades atrativas das gorduras, mas que tem pouquíssimas calorias e, muitas vezes, sequer são metabolizados por nosso organismo. O QMCWEB desta semana apresenta, com um artigo da professora Marina, a química dos Fat Free!

O bom substitutivo

Para uma molécula ser utilizada como substitutivo de gordura, alguns requisitos precisam ser atendidos:
> devem ser livres de efeitos tóxicos;
> não devem produzir metabólitos diferentes daqueles; produzidos pela gordura convencional ou devem ser eliminados completamente do organismo;
> os produtos devem ser preferencialmente considerados GRAS (generally recognised as safe) pelo FDA (Food and Drug Administration).

Sorvetes, batatas fritas, bolos, maioneses e queijos - tudo sem gordura. Parece um sonho, mas já é real e está na prateleira de diversos supermercados. Criar um substituinte para uma molécula de gordura, entretanto, não é uma tarefa muito fácil. As gorduras desempenham diversas e importantes funções no organismo. Dos alimentos com gordura é que são obtidos, por exemplo, os ácidos graxos necessários para a estrutura das membranas celulares e para a síntese das prostaglandinas. São as gorduras as responsáveis pelo transporte de várias vitaminas, como a A, E, D e K. Apenas 1 g de gordura é capaz de fornecer 9 mil calorias para o organismo. No alimento, as gorduras conferem consitência, textura, estabilidade e palatabilidade. Sua ingestão dá uma sensação de saciedade.


A maionese Light: metade das calorias
Ingredientes: Água, óleo vegetal, ovos, vinagre, açúcar, sal, limão, mostarda, condimento preparado para maionese, conservante: ácido sórbico, EDTA, BHT, TBHQ.

100 g = 680 kcal
Ingredientes: água, óleo vegetal, ovos, vinagre, amido modificado, sal, concentrado proteico de soro de leite, suco de limão, condimento preparado para maionese, conservantes: ácido sórbico, acidulante ácido láctico, espessante: goma xantana, antioxidantes EDTA, BHT e TBHQ.
100 g = 340 kcal

Os substitutivos de gorduras são produtos que mimetizam o sabor, a textura, a aparência, a viscosidade e outras propriedades das gorduras, porém com um baixo valor calórico. Alguns, ainda, sequer são digeridos. Na maionese CICA Gourmet Light, por exemplo, o amido modificado e o concentrado proteico de soro de leite são os substitutivos.

Existem basicamente 3 classes de substitutivos de gordura: os baseados em carboidratos, como as polidextroses e amido modificado (maltodextrinas), etc., os baseados em proteínas, como o soro de leite, e, ainda, os baseados em produtos sintéticos, que, em geral, são gorduras, mas de difícil digestão e/ou baixo conteúdo calórico.

 

O que é usado como substitutivo das gorduras?

1. Substitutivos baseados em proteínas:

  • são manufaturados a partir de mistura de proteínas de clara de ovo, do leite, do milho com outros produtos como carboidratos, pectinas e ácidos;
  • Fornecem de 1 a 4 kcal/g; · as misturas são submetidas à "microparticulação": Microparticulação consiste na aplicação de calor às proteínas de maneira que coagulem na forma de gel, ao mesmo tempo em que se submete o sistema a uma força de cisalhamento fazendo com que as proteínas coaguladas formem partículas de diâmetro de 0,1 - 2,0 m, para dar a sensação de fluidez (acima de 3m, as partículas são sentidas individualmente).
  • Batatinha Frita Fat Free

    Nos EUA já é comercializado uma versão do popular Ruffles com zero de gordura. A batata é frita em Olestra, um substitutivo de gordura produzido pela Procter & Gamble Co.. Uma porção de 28 gramas do Ruffles regular tem o equivalente a duas colheres de óleo em gordura e cerca de 150 kcal. Já a versão fat free não tem gordura nenhuma, e apenas 75 kcal. O sabor, a textura e a aparência são praticamente idênticos.

    são utilizados em formulações de sobremesas, iogurte, queijos, sorvetes, maionese, margarinas e molhos;
  • não podem ser utilizados na panificação e frituras; · aquecimento causa coagulação e desnaturação das proteínas (perda de cremosidade e textura);
  • não há evidência de efeitos tóxicos na ingestão de proteínas microparticuladas.
  • Exemplos:
    Simplesse 100 (23% proteína do soro de leite, 17% de carboidratos, 2% de gordura); Lita (proteína do milho); CMP-1 (proteína do leite). Dairylight (proteína do leite), etc.
    1 colher sopa de maionese tradicional = 99 kcal
    1 colher sopa de maionese c/ Simplesse = 30 kcal
    1 porção de margarina = 36 kcal c/ Simplesse = 8 kcal

2. Substitutivos baseados em carboidratos:

  • são utilizados normalmente em soluções 25% ou 50% em formulação de alimentos, portanto reduzem de 1 a 2 kcal/g no produto final; à neste grupo encontram-se derivados das dextrinas, amidos modificados, polidextroses, gomas; celulose microcristalina;
  • são termoestáveis, podem ser utilizados na panificação.

2.1. Amidos modificados e Dextrinas:

  • o amido é degradado a compostos de menor peso molecular;
  • tamanho de partículas : 2mícron;
  • obtido por hidrólise ácida ou enzimática, atrito mecânico ou particulação do amido;
  • fonte de amido: trigo, milho, tapioca, batata, aveia, arroz, etc;
  • fornecem 4 kcal/g. São digeridos normalmente.
  • Exemplos: Stellar, Remyrise AP, Opta Grade (amido de milho ou arroz); CrystalLean, N-Lite D, Sta-Slim, Amalean (amido milho, batata, tapioca, etc.); N-Oil, Instant N-Oil (tapioca), etc.

2.2. Hidrocolóides não amiláceos:

  • polidextrose: polímero de dextrose com pequenas qtidds. sorbitol e ácido cítrico. Funciona como espessante e umectante. Substitui açúcar ou gordura em produtos de panificação específicos, chicletes, confeitos, recheios, molhos, sobremesas, gelatinas, pudins e balas. A polidextrose é parcialmente absorvida ( 5-10%): é resistente às enzimas digestivas no intestino delgado. Pode ter efeito laxativo.
  • O que são Gorduras?

    Óleos e gorduras são, ambos, triacilgliceróis (TAG), também chamados de triglicerídeos. A temperatura ambiente, gorduras são sólidas e óleos são líquidos. Uma molécula de gordura (óleo) consiste de 3 moléculas de ácido graxo esterificada em uma molécula de glicerol, como visto na figura abaixo:

    Na maioria dos óleos e gorduras, existem de 12 a 18 carbonos nas moléculas de ácidos graxos. Mais de 80% do óleo de oliva, por exemplo, é constituído por moléculas de ácido oléico. Este ácido graxo, assim como o ácido linoléico, são ácidos insaturados, isto é, possuem duplas ligações na cadeia carbônica, como ilustrado nas figuras abaixo:
    Ácido Oléico
    Ácido Linoléico
    Existem ácidos graxos saturados, isto é, sem duplas ligações na cadeia carbônica, como é o caso do ácido esteárico (octanodecanóico).
    Ácido Esteárico

    Os ácidos insaturados são, na maioria, líquidos a temperatura ambiente, enquanto que os saturados são sólidos. A hidrogenação das duplas de um ácido insaturado leva a um aumento do índice de saturação e, consequentemente, a uma elevação do ponto de fusão da gordura. Um exemplo é a margarina, que é obtida pela hidrogenação catalítica de óleos vegetais.

    gomas: hidrocolóides de cadeia longa e alto p.m., dispersam-se em água formando géis. Aumentam a viscosidade e estabilizam emulsões.As mais utilizadas são: carragenana, xantana, alginatos, goma guar, pectina, etc. Utilizadas em produtos de panificação, congelados, molhos de salada, hambúrgueres.
  • Celulose microcristalina: celulose em que a parede celular das fibras das plantas foram fisicamente fragmentadas. Após a hidrólise ácida da polpa da celulose, a celulose microcristalina permanece insolúvel e é separada, submetida à atrito mecânico que faz com que se quebre em agregados cristalinos coloidais, que são secos juntamente com carboximetilcelulose e outros ingredientes funcionais que garantem a redispersão dos cristais. Não é calórica (J)e pode substituir 100% da gordura em molhos para saladas, produtos lácteos e sobremesas.
  • A celulose e gomas utilizadas podem ter um benefício adicional, pois fornecem fibras solúveis e insolúveis, e ajudam a reduzir o nível de colesterol no sangue.
  • Exemplos Avicel FD-100, Ex-Cel, Novagel (celulose);Avicel RCN 10 e RCN 15 (mistura de celulose e goma guar); Centu Tex (fibra da ervilha), Fibrex, Fibrim, AF Fiber (hemicelulose obtida de beterraba, soja e amêndoas) Nutricol konjac (do inhame, pode ser utilizado para diminuir a absorção de óleos em frituras); Splendid (pectina); etc.

3. Triglicerídeos de Cadeia Média (TCM):

  • Tem sido altamente recomendado. Utilizado desde os anos 50 para pessoas com disfunções na absorção de lipídios.
  • O óleo de coco é uma boa fonte, tem grande % de TAG com 6 a 10 carbonos( cadeia saturada), que é uma fonte imediata de energia, portanto tem baixa tendência de acumular-se no tecido adiposo.
  • Pode ser utilizado a temperaturas relativamente altas (frituras);
  • valor calórico, pouco inferior ao de um TAG normal;
  • são insípidos, inodoros, incolores e resistentes à oxidação (não possui C=C);
  • bom meio de solubilização de compostos lipossolúveis: corantes, sabores, vitaminas, fármacos.


4. Lipídeos Estruturados:

  • TCM interesterificado com um ácido graxo de cadeia longa. - Ex. Caprenin (TAG formado dos ác.graxos caprílico (C8:0), cáprico (C10:0) e behênico (C22:0).
  • Fornece 5 kcal/g. Utilizado em balas e coberturas de confeitos.
  • Salatrin: TAG formado por ác. graxos esteárico e os outros dois de cadeia curta (acético, propiônico ou butírico).

5. Misturas Funcionais: São ingredientes formulados para atingir características específicas. Ex.: - Prime-O-Lean: matriz cuja formulação contém água, óleo de canola parcialmente hidrogenado, plasma de carne bovina hidrolisado, farinha de mandioca e alginato. É definido como tecido adiposo artificial. Usado em produtos cárneos.

Ácidos Essenciais
Alguns ácidos graxos são essenciais para o nosso organismo. Muitos são encontrados em gorduras animais ou vegetais, tais como o palmítico, o esteárico e o oléico. Estes podem ser obtidos, também, in vivo, a partir um dos ácidos omega-3de açúcares. Outros, entretanto, não podem ser sintetizados pelo organismo e são também essenciais, como o ácido linoléico (omega-6), ácido gama linolênico(omega-6), o ácido eicosapentanóico(omega-3) e o ácido docosahexaenóico(omega-3). Os ácidos omega-6 estão por toda a parte: óleo de milho, soja, girassol, etc.. Os omega-3, entretanto, são mais difíceis de encontrar, mas estão nas amêndoas, sementes de abóbora e, principalmente, nos peixes. Devido à sua extrema importância, estes ácidos são adicionados a alguns produtos, tal como o leite da parmalat.

6. Substitutivos Sintéticos:

  • Substâncias similares à gordura, resistentes à hidrólise pelas enzimas digestivas.
  • Não tem valor calórico, mas nem todos, foram ainda aprovados como substitutivos em alimentos.

6.1. Substituição do Glicerol por um álcool alternativo

Desta classe citaremos o Olean (Olestra), desenvolvido pela Procter & Gamble Co. (1996) e aprovado pelo FDA. É formado por uma mistura de hexa-, hepta- e octaésteres de sacarose com ácidos graxos cujo número de carbonos variam de 8 a 18. A olestra não é digerida pelo organismo.

6.2. Ésteres de Poliglicerol:
Poliglicerol com cadeias de ácidos graxos:

  • Pode apresentar diferentes propriedades físico-químicas para diferentes n e R, portanto produz produtos variados.
  • Podem ser utilizados em sorvetes, margarinas, cobertura para confeitos, sobremesas e produtos de panificação.

6.3. Reversão da Ligação éster:

  • A fração glicerol pode ser substituída por ácidos policarboxílicos, aminoácidos ou outra estrutura ácida polifuncional .


Saiba mais!


> download a apostila de lipídeos da prof. Marina

> hidrogenação e margarina
> FDA aprova a olestra
> Batatinhas Fat Free
> as funções da gordura no organismo
> uma aula sobre lipídeos
> avaliação nutricional da Olestra
> The Calorie Control - um site dedicado ao controle calórico

 

qmcweb://SERVIÇO
OPORTUNIDADES PARA PÓS-DOUTORADO
Estão abertas as inscrições para duas vagas de pós-doctor junto aos laboratórios dos professores Elia Tfouni e Douglas W. Franco. Os candidatos deverão se inserir em projeto temático FAPESP que trata da "Reatividade Térmica e Fotoquímica e Aplicações Farmacológicas de Nitrosilo Complexos de Ferro, Rutênio e Ósmio". Os candidatos selecionados deverão elaborar projeto de pesquisa relacionado ao tema acima o qual será submetido a FAPESP. A duração da bolsa, inicialmente de um ano, poderá ser renovada por até quatro anos. Não há nenhuma obrigação didática. Espera-se que além de desenvolver o seu projeto próprio o pós-doutorando também venha a atuar como co-orientador dos trabalhos em curso. A seleção será efetuada com base no currículum vitae, carta de recomendação do seu orientador de doutorado e entrevista.

Informações:

>Elia Tfouni - Fone: (16)-6023748 - eltfouni@usp.br

>Douglas W. Franco - Fone: 0xx016-2739970 - douglas@iqsc.sc.usp.br
23a Reunião do SBQ
Os números de inscrição para os participantes da reunião anual da Sociedade Brasileira de Química já estão disponíveis na internet. Confira o seu, no site do SBQ!

Nós estávamos certos!

Recentemente, o departamento de Química da UFSC perdeu um projeto do PADCT (para a graduação). Um dos motivos alegados era a inviabilidade de certos pontos do projeto. Um destes era sobre a realização de um experimento de varredura eletrônica, na graduação. Embora seja um tópico extremamente moderno, os relatores do projeto acharam a idéia ridícula e inviável - alegavam que tal coisa não se ensina na graduação! Pois bem, o tempo passou e trouxe a verdade para o nosso lado: o exemplar de janeiro do Journal of Chemical Education traz na capa uma matéria com o título "Scanning Tunneling Microscopy for Undergraduates". Um grupo de professores da Columbia University, NY preparou um experimento muito similar ao que sugerimos e, segundo os autores, o experimento teve enorme aceitação dentre os alunos e professores da instituição. Por que será que fazer e ensinar ciência no Brasil é sempre tão complicado?!...


 

A Química do Cabelo

Mal começa o dia e já tentamos arrumá-los, diante do espelho. Uns o querem mais lisos, outros, mais cacheados. Muitos, ainda, lutam para não perdê-los. O QMCWEB desta semana fala sobre o cabelo, a moldura de nosso rosto. Do que é feito, como interage com os xampus e com os condicionadores, de que maneira ele pode ser moldado, colorido e alisado pela adição de algu
ns compostos químicos.

fio de cabelo visto em um microscópio de varredura eletrônica

 

O cabelo é consituído, basicamente, de uma proteína: a alfa-queratina. As queratinas (alfa e beta) são, também, consitituintes de outras partes de animais, como unhas, a seda, bicos de aves, chifres, pêlos, cascos, espinhos (do porco-espinho), entre outros.

Em cada fio de cabelo, milhares de cadeias de alfa-queratina estão entrelaçadas em uma forma espiral, sob a forma de placas que se sobrepoem, resultando em um longo e fino "cordão" protéico. Estas proteínas interagem fortemente entre si, por várias maneiras (veremos adiante), resultando na forma característica de cada cabelo: liso, enrolado, ondulado, etc..



testosteronaA raiz de cada fio capilar está contida numa bolsa tubular da epiderme chamada folículo capilar. Estima-se que existam cerca de 5 milhões de folículos capilares no corpo humano. As únicas partes da pele que não têm folículos são as palmas da mão e as solas dos pés. O fulículo recebe irrigação na epiderme e, algumas vezes, pode apresentar disfunções, levando ou ao crescimento excessivo de cabelos (ou pelos) ou à queda de cabelos, um problema enfrentado por boa parte da população. A queda de cabelos é mais frequente nos homens, e estudos indicam que ela está associada à testosterona. Este hormônio é convertido, por uma enzima encontrada nos folículos, em dihidrotestosterona (DHT), que é capaz de se ligar a receptores nos folículos. Segundo Dr. Richard S. Strick, um dermatologista na University of California em Los Angeles, "this binding can trigger a change in the genetic activity of the cells, which initiates the gradual process of hair loss".

números
>um adulto tem cerca de 150 mil fios de cabelos na cabeça;
> O número total, incluindo todos os pêlos, chega a mais de 1 milhão;
>o cabelo cresce cerca de 2cm por mês;
> apenas 3 meses após a fecundação, os primeiros fios de cabelo já nascem no feto;
A cor do cabelo vem de pigmentos, como a melanina, que são agregados ao cabelo a partir do folículo capilar, o aparelho que é responsável pela produção do mesmo. Em geral, a cor do cabelo está relacionada à cor da pele: pessoas com pele escura tendem a ter cabelos escuros, e vice-versa. Isto porque a pigmentação do cabelo depende da quantidade de melanócitos presentes.

estrutura secundária da proteína GUma proteína é uma sequência de amino-ácidos, um polipeptídeo. A queratina é formada por cerca de 15 amino-ácidos diferentes, que se repetem e interagem entre si. Na conformação alfa, cada cadeia polipeptídica enrola-se sobre si mesma, no formato de uma hélice (como uma escada de caracol). Na conformação beta, as cadeias ficam semi-estiradas, dispostas paralelamente. A figura ao lado ilustra a proteína G, que apresenta as duas conformações: alfa, em lilás, e beta, em amarelo. As ligações intramoleculares entre os aminoácidos da mesma cadeia é que sustentam a configuração da cadeia. Entre os tipos de interação, destacam-se as pontes de hidrogênio e as pontes cistínicas, que são as pontes formadas entre os grupos -SH do amino-ácido cistina, presente na queratina.

 

 

Como se faz o cabelo "Permanente" ?

cisteinaUm dos amino-ácidos presentes na queratina é a cisteína, responsável pelas ligações cisteínicas. A cisteína, RSH, pode interagir com outra cisteína da mesma cadeia polipetídica, e formar uma ligação convalente, RSSR. Estas ligações são responsáveis pelas "ondas" que aparecem em nossos cabelos. A possibilidade da interconversão entre as formas oxidadas (RSSR) e reduzidas (RSH) da cisteína é que permite ao cabelereiro "moldar" o seu cabelo, ou seja, alisar um cabelo crespo, ou fazer "cachos" e "ondas" em um cabelo liso. ácido tioglicólicoA primeira etapa consiste na redução de todos os grupos RSSR. Isto se faz, geralmente, com a aplicação do ácido tioglicólico (também conhecido como ácido 2-mercaptoacético) em uma solução de amônia (pH 9). Esta solução reduz os grupos RSSR para RSH. thioglycolic acid (also known as 2-mercaptoacetic acid) in an ammonia solution (about pH 9) reduces RSSR to RSH (os cabelereiros chamam esta solução de "relaxante").
A segunda etapa consite em imprimir no cabelo a forma desejada: lisa ou ondulada. Após se lavar toda a solução de ácido tioglicólico e se enrolar ou esticar o cabelo, o cabelereiro, então, oxida os grupos RSH para RSSR, com a aplicação de um agente oxidante, tal como o peróxido de hidrogênio (H2O2, água oxigenada) ou borato de sódio (NaBrO3) (os cabelereiros se referem a esta solução como "neutralizante"). O novo padrão imposto, então, dura até o crescimento do cabelo, quando será uma nova visita ao salão.

Como o cabelo pode ser colorido?

Existem, basicamente, 2 métodos: o primeiro consiste na incorporação de pigmentos na formação do fio de cabelo. Este processo é lento e, em geral, é feito com pigmentos naturais, tais como o encontrado na henna ou na camomila. Devido ao uso constante, em xampus e/ou condicionadores, estes pigmentos começam a fazer parte dos novos fios de cabelos formados.
O segundo método é a pintura imediata do cabelo, com a destruição dos pigmentos (descoloração) já existentes nos fios, e a incorporação de novos pigmentos. O processo de descoloração é ainda feito, na maioria das vezes, com peróxidos ou amônia, embora ambos os produtos sejam tóxicos. Um dos pigmentos mais utilizados, na coloração, é o acetato de chumbo, embora também seja tóxico.
IndolAs indústrias investem muito em pesquisa nesta área. Recentemente, a americana L'Oréal chegou a uma solução original para o tratamento de cabelos grisalhos: desenvolveu um produto a base de dihidróxido-5-6-indol, um precursor natural da melanina, o principal pigmento do cabelo. A figura ao lado ilustra o indol, o reagente de partida para a síntese do produto da LÓréal.

Como agem os xampus e condicionadores?
Ambos possuem, em sua formulação, moléculas de surfactantes. O QMCWEB já fez uma aula virtual sobre surfactantes. Os xampus e condicionadores diferem, basicamente, na carga do surfactante: os xampus contém surfactantes aniônicos, enquanto que os condicionadores têm surfactantes catiônicos. Quando o cabelo está sujo, ele contém óleo em excesso e uma série de partículas de poeira e outras sujeiras que aderem à superfície do cabelo. Esta mistura é, geralmente, insolúvel em água - daí a necessidade de um xampu para o banho. O surfactante ajuda a solubilizar as sujeiras, e lava o cabelo.
Um problema surge do fato de que surfactantes aniônicos formam complexos estáveis com polímeros neutros ou proteínas, como é o caso da queratina. O cabelo, após o uso do xampu, fica carregado eletrostaticamente, devido a repulsão entre as moléculas de surfactantes (negativas) "ligadas" à queratina. É aí que entra o condicionador: os surfactantes catiônicos interagem fracamente com polímeros e proteínas neutras, e são capazes de se agregar e arrastar as Tudo Mentira!!!moléculas de xampu que ainda estão no cabelo. Nos frascos de condicionadores existem, ainda, alguns produtos oleosos, para repor a oleosidade ao cabelo, que foi extraída com o xampu.
O cabelo, após o condicionador, fica menos carregado e, ainda, com mais oleosidade.

Segundo este critério, não existe xampu "2 em 1", ou seja, uma formulação capaz de conter tanto um surfactante aniônico como um catiônico. Os produtos encontrados no mercado que se dizem ser "xampu 2 em 1" são, na verdade, xampus com surfactantes neutros ou, ainda, surfactantes aniônicos com compostos oleosos, que minimizam o efeito eletrostático criado pelo xampu normal.


Editorial

O leitor atento pode ter percebido: houve alterações no exemplar anterior durante sua permanência no ar. O termo "misturas racêmicas" foi substituído pelo correto, "racematos". Os "centros quirais" foram trocados por "centros de quiralidade". Isto sem falar em uma linha no editorial que, sem intenção do QMCWEB, poderia ser interpretada como um ato de injúria contra uma cidadã brasileira. Toda a revista que se preze tem um ombudsman: o QMCWEB tem vários, voluntários, das mais diversas áreas, e foram suas sugestões que causaram as modificações do último exemplar. E esta não foi a primeira vez que o QMCWEB acatou correções sugeridas por leitores: os nossos ombudsmen estão sempre de olho! O QMCWEB agradece, muito, a colaboração desta maravilhosa equipe de leitores, que contribuem para que esta revista se torne cada vez melhor.

Na primeira quinzena de março passamos pelo dia internacional da mulher. O QMCWEB tem muitas leitoras e, além de parabenizá-las, apresenta, nesta edição, duas matérias de grande interesse para o público feminino. Um amigo disse-me que as maiores preocupações das mulheres são o cabelo e a barriga...
:) bem, estão aqui um artigo sobre os Fat-Free e outro sobre a química dos cabelos!

Muita gente diz que o ensino de química, no segundo grau (ensino médio), é desnecessário. Não foi o que revelou a pesquisa feita pelo QMCWEB: a grande maioria diz que este ensino deve continuar. O conhecimento (ainda que básico) do mundo à nossa volta é indispensável. Todos os dias estamos fazendo, mesmo sem perceber, centenas de reações químicas: quando riscamos um fósforo ou assamos um bolo, quando adicionamos sabão à roupa suja, quando aceleramos o nosso carro, ou, ainda, quando dissolvemos um comprimido efervecente em água. Tudo em nosso universo é feito de matéria. A química estuda a matéria e procura adaptá-la para melhor servir às nossas necessidades. E o QMCWEB é uma página dedicada ao ensino de Química, de graça, com qualidade.

O QMCWEB recebe muitos e-mails, mas nem todos são publicados na coluna do.leitor. Muitos são respondidos pelo próprio QMCWEB, devido ao caráter de urgência destas mensagens. Ultimamente, porém, o QMCWEB tem recebido alguns e-mails impublicáveis, que pedem desde a "receita" de drogas, tal como o lança-perfume, ou ofendem diretamente algum leitor, previamente citado, do QMCWEB. Esta revista se reserva o direito de seleção e edição dos e-mails publicados na referida coluna.

Ah, antes que eu esqueça: o QMCWEB já é o site de química mais acessado no Brasil! Os culpados disto são vocês, leitores... obrigado!

QMCWEBperguntou

Na edição 21, perguntamos:
"Você acha que o ensino de química deve fazer parte do currículo do ensino médio?"
não: 9%
sim: 91%

Total: 739 votos


QMCWEB://do.leitor

Este espaço é seu! Diz aí...

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Muito prazer ! Sou professora de Química em SP, e gostei muito do QMCWEB. Para tanto, gostaria que você, caso pudesse me ajudar, me indicasse se há artigos sobre o descarte de baterias de celulares ou de pilhas, se há algum grupo que trabalha com conscientização de descarte destes materiais. Não necessita ser demasiado técnico, pois será utilizado em murais nas escolas em que leciono. Agradeço desde já a sua ajuda e fico no aguardo de instruções. Ah, ainda em tempo: parabéns pelas home-pages, na área de Química (principalmente quando se fala em Universidades) está bem escassa a divulgação de grandes idéias e de nossos projetos. Um abraço
Núria Agda Galacini - nuriagalacini@visualmail.com.br
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Parabens!!!
impressionante e muito didático. perfeito.. sem comentarios...muito bom mesmo..
Luiz Marcelo - Farmacia-bioquimica-USP - lubadju@uol.com.br
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Acho que vocês estão sendo muito felizes na escolha dos temas do QMCWEB e também na maneira como os assuntos são tratados. Muitas coisas que vemos no nosso cotidiano merecem ser questionadas, exatamente da maneira como vocês fazem, demonstrando conhecimento científico, com argumentos sérios.
Nerilde Vanzella - Florianópolis
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Olá, tudo bem? estou adorando receber qmcweb, é uma forma de manter o professor sempre atualizado. por conta disso, gostaria de saber se existe algum programa de construção de cadeias carbônicas e fórmulas. obrigada pela atenção. abraços..
Maria Teresa - terry@nitnet.com.br
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Uma pequena correção [sobre artigo da cafeína]: Chimarão não se chupa, se toma!!!
Josiel - PGQMC - UFSC

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Eu gostaria de receber informações sobre flavorizante, é possível? Muito obrigada,
Adriana Melo - adriana@cecom.ufmg.br

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Oi pessoal faço faculdade de fisioterapia na unisanta (santos) e presciso fazer um trabalho sobre água em geral;.... vcs poderiam me dar uma força me mandando algo que poderia me ajudar???? valeu
Wagner - waguinho@iron.com.br
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Depois de ingerida, quanto tempo leva pra cafeina comecar a ter seus efeitos???
Paulo Palhares
- paulo@conectanet.com.br
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Oi, gostaria de obter informações ou mesmo sites, ou livros em que eu possa saber mais sobre cromatógrafo gasoso acoplado ao espectrômetro de massa. Obrigada.
Luciana - lucianaag@yahoo.com
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Gostaria de receber algum texto falando sobre o Cloreto de Alila, ficaria muito agradecido.
Fernando - shaqat@ig.com.br
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Gostaria de obter informações sobre o uso de café como cosmético. Qual o princípio ativo responsável pela sua utilização como tal!
Delcio Sandi- dsandi@alunos.ufv.br
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A dessalinização é o processo de retirada de sal da água do mar, a fim de torná-la potável. Na dessalinização usa-se o processo de destilação, porém, a água destilada não é própria para consumo porque é isenta de sais minerais. Pergunta-se : como adequar a quantidade de sais minerais na dessalinização ???
Margarete da Penha Sevilha - msevilha@uol.com.br
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Eu gostaria de receber um levantamento de todos os materias usados em um laboratorio de quimica, seu nome e suas funções. Materiais qeu eu me refiro são: Funis, Beckers etc.. Muito agradecida
Camila Bozzani -camila.bnu@zipmail.com.br
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Estou fazendo um trabalho para minha professora de Praticas de Quimica e ela pediu que nós fisessemos uma pesquisa sobre algo relacionado a quimica, que ajude a resolver, explicar ou minimizar um fenomeno do campo de atuação proficional peço que se puderem me ajudar ficaria muito grato. aguardo resposta. Um grande abraço
Alex Sandro Trois- UCS Caxias do Sul- sandroo@zaz.com.br
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Sou estudante do 3 ano do curso de farmacia e bioquimica. Gostaria de obter mais informações sobre o SALICILATO DE METILA. Quais as reações envolvidas na reação, relação custo/benefício, farmacocinética, farmacologia, toxicologia, vias de administração,se existe relação estrutura/atividade, para que usar, que doses utilizar, indicação...etc... agradeço desde já!
Érika - littletulip@zipmail.com.br
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Sou estudante de quimica e estou fazendo um trabalho sobre quimica quantica. Mais precisamente sobre o atomo de hidrogenio na quimica quantica. Se voces pudessem me enviar algumas informações a respeito ficaria grato. Obrigado
João Ricardo - zugliani@netsite.com.br

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Utililize também para responder perguntas dos leitores

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há 5 mil anos
há 1 bilhão de anos
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1. ESPECIAL: Química Geral virtual: feedback
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3. Pesquisa Brasileira vai para o Espaço
4
. O que são as Dioxinas ?

5. Computadores Orgânicos
6. Viagra: revogando a lei da gravidade + SMART-Drugs
7. Energia NÃO pode ser convertida em matéria
8. Alimentos Transgênicos: está servido?
9. Biomassa: a energia do próximo milênio
10. Como agem os Quimioterápicos + ASPIRINA

11. Cristais Líquidos + SUPER-Bactérias
12. O mundo bizarro das SUPERCORDAS + Química Combinatória
13. Adrenalina: a molécula da ação + Salmonellas

14. Plásticos Fantásticos: Polímeros condutores + Bronzeamento Artificial
15. DrugDelivery: os remédios do próximo milênio
ESPECIAL: Cobertura SBQsul 99

16. Quimiossensores: A química do olfato e do paladar
17. QUIMIDEX: a Química dá um Show!
18. NeuroQuímica: a química do cérebro
19. O que é a vida? A visão científica para a origem da vida.
20. Albert Einstein: o cientista do milênio
21. A internet no ensino de Química
ESPECIAL: Aula Virtual de Micelas e Surfactantes

22. CAFEÍNA: a droga psicotrópica mais consumida no mundo!
23. Drogas Quirais + Afrodisíacos


 

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