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A
cafeína é a droga mais consumida em todo o mundo. Gostamos
tanto, que uma de nossas refeições diárias foi nominada
em sua homenagem (café-da-manhã). Esta droga
pode ser encontrada no café, chá, chimarrão, refrigerantes e no
chocolate. A grande maioria dos brasileiros adultos consomem doses diárias
de cafeína superiores a 300 mg, e muitos são viciados. Você já
se perguntou o que torna a cafeína tão popular? Por que milhões de pessoas
usam esta droga? O QMCWEB desta semana apresenta a CAFEÍNA.
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A
Química da Cafeína
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A
Cafeína é um alcalóide. Entre os vários
alcalóides existentes na natureza, encontram-se as metilxantinas.
Existem 3 metilxantinas particularmente importantes: a 1,3,7-trimetilxantina
(cafeína), a 1,3-dimetilxantina (teofilina) e a 3,7-dimetilxantina
(teobromina). Todos são derivados da purina (o grupo xantina é a 2,6-dioxopurina)
e inibem a cAMP fosfodiesterase. Teobromina e teofilina são duas dimetilxantinas,
com dois grupos metilas somentes, em contraste à cafeína, que possui
três. Ambas têm efeitos similares à cafeína, porém bem menos acentuados.
A teobromina é encontrada no chocolate, no chá, na noz moscada, mas
não no café. No cacau, a concentração de teobromina é 7 vezes maior
do que de cafeína! A teofilina possui mais efeitos no coração e na
respiração, sendo, por isso, mais empregada em medicamento para asma,
bronquite e efisemas do que a cafeína. É encontrada, também, no café.
No organismo, estes compostos são facilmente oxidados para o ácido
úrico e outros derivados. |
A
cafeína é a 1,3,7-trimetilxantina - um pó branco cristalino muito amargo.
Na medicina, a cafeína é utilizada como um estimulante cardíaco e um diurético.
Ela também produz um "boost" de energia, ou um aumento no estado de alerta
- por isso motoristas e estudantes tomam litros e café para permanecerem
acordados. A cafeína é uma droga que causa dependência - física
e psicológica. Ela opera por mecanismos similares às anfetaminas e
à cocaína. Seus
efeitos, entretanto, são mais fracos do que estas drogas, mas ela age
nos mesmos receptores do sistema nervoso central (SNC).
Se você sente que "não funciona" sem um copo de café, é porque você
já está viciado em cafeína...
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A
ação da cafeína no organismo
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A
ligação da adenosina, um neurotransmissor natural, aos seus receptores,
diminui a atividade neural, dilata os vasos sanguíneos, entre outros.
A cafeína se liga aos receptores da adenosina e impede a ação da
mesma
sobre o SNC. A cafeína estimula a atividade neural e causa a constricção
dos vasos sanguíneos, pois bloqueia a ação da adenosina. Muitos
medicamentos contra a dor de cabeça, tal como a Aspirina Forte, contém
cafeína - se você estiver sofrende de uma dor de cabeça vascular, a cafeína
irá contrair os vasos sanguíneos e aliviar a dor. Com o aumento da
atividade neural, a glândula pituitária (localizada sobre os rins)
"pensa" que algum tipo de emergência está ocorrendo, e libera grandes
quantidades de adrenalina, que, como já
visto no qmcweb, causa uma série de efeitos no corpo humano, como
a taquicardia, aumento da pressão arterial, abertura
dos tubos respiratórios (por isso muitos medicamentos contra a asma
contém cafeína), aumento do metabolismo e contração dos músculos, entre
outros.
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Doses
médias
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>café
coado: 150 mg /xícara
>expresso: 350 mg /xícara
>instantâneo: 100 mg /xícara
>descafeinado: 4 mg /xícara
> chá: 70 mg /xícara
> coca-cola: 45.6 mg /lata
> diet coca-cola: 45.6 mg /lata
> pepsi cola: 37.2 mg /lata
> diet pepsi: 35.4 mg /lata
> chocolate: (200g): 7 mg
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Um
outro modo de ação da cafeína é o bloqueio da enzima fosfodiesterase,
responsável pela quebra do mensageiro cAMP, então os sinais excitatórios
da adrenalina persistem por muito mais tempo. Repare como as estruturas
da cafeína, adenosina e cAMP são similares.
A cafeína também aumenta a concentração de dopamina no sangue (assim
como fazem as anfetaminas e a cocaína), por diminuir a recaptação desta
no SNC. A dopamina também é um neurotransmissor (relacionado com o prazer)
e suspeita-se que seja justamente este aumento dos níveis de dopamina
que leve ao vício da cafeína. 
Resumindo, a cafeína, em curto prazo, impede que você durma porque
bloqueia a recepção de adenosina; lhe dá mais "energia", pois causa a
liberação de adrenalina, e lhe faz sentir melhor, pois manipula a produção
de dopamina.
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A
descoberta do café
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Os
historiadores dizem que o café foi descoberto na Etiópia, em torno
de 700 AC, onde a planta crescia naturalmente. Alguns pastores perceberam
que suas ovelhas não conseguiam dormir, à noite, após comerem os frutos
desta planta. Durante o século XIV alguns pés de café foram plantados
na Arábia. Eles chamaram esta planta de Kaweh, e era usado como alimento,
na fabricação de vinho e como remédio. Por volta de 1500, o café já
estava na Turquia e na Itália e, em 1720, já estava em Paris. Em 1736
o primeiro pé de café foi plantado em Porto Rico e, menos de 20 anos
mais tarde, já era o principal produto de exportação do país (como
continua sendo até hoje!). A economia brasileira,
por um longo período, teve no café o seu principal produto (o que
não é novidade para quem acompanha a novela Terra Nostra). O país
com o maior consumo per capita de café é os EUA, e, lá, as variedades
preferidas são as provindas da Colômbia e de Porto Rico. |
O problema do consumo de cafeína só aparece em longo prazo. O mais
importante é o efeito que a cafeína tem sobre o sono. A recepção
de adenosina é muito importante para o sono, principalmente para o sono
profundo.
O tempo de meia-vida da cafeína no organismo é de 6 horas. Portanto,
se você beber um xícara de café (200 mg de cafeína) por volta das 15:00h,
cerca de 100 mg de cafeína ainda estarão em seu corpo lá pelas 21:00h.
Você ainda estará apto a dormir, mas provavelmente não irá usufruir
os benefícios do sono profundo. No dia seguinte, você precisará mais
cafeína para se sentir melhor, e este círculo vicioso continua, dia após
dia. Se você tentar parar de consumir cafeína, você irá se sentir deprimido
e, algumas vezes, com uma terrível dor de cabeça - causada pela excessiva
dilatação dos vasos sanguíneos no cérebro. Estes efeitos
negativos o forçam a correr de volta para o consumo de cafeína.
Esta é a principal razão que leva os fabricantes de refrigerantes a adicionar
cafeína aos seus produtos - o consumidor se torna viciado e as vendas
aumentam!
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Como
é feito o café
descafeinado?
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Até
1980 o café era descafeinado com diclorometano, que dissolvia
a cafeina, seletivamente, sem "carregar" os açúcares, peptídeos
e ingredientes de sabor. O diclorometano, então, extraia a cafeína
sem mudar o sabor ou aroma do café. Entretanto, o diclorometano
é tóxico e surgiram evidências de que era carcinogênico.
O acetato de etila, então, foi o substituto até o início
dos anos 90. Mas este também era moderamente tóxico. Foi somente
a partir de 1990 que um solvente não tóxico e mais natural passou
a ser usado: o fluído supercrítico de dióxido de carbono.
Acima de 72.8 atm e 304.2 K a densidade do gás CO2
e de seu líquido é idêntica, e este se torna um fluído supercrítico.
O fluído dissolve substâncias como um líquido, principalmente
substâncias orgânicas, como a cafeína. O processo de extração
é simples: o CO2 supercrítico,
sob alta pressão, "lava" os grãos de café, e dissolve cerca
de 99% da cafeína presente. A cafeína, então, é isolada e vendida
para a indústria farmacêutica. E o café descafeinado vai para
as prateleiras de supermercados, atendendo a pessoas que apreciam
do sabor do café, mas que não querem passar a noite em claro... |
Estudos
indicam que o consumo de cafeína durante a gravidez
pode ser prejudicial para o feto, porém
os cientistas garantem que os males só aparecem se o consumo
for exagerado. A cafeína pode ser letal, se ingerida
em grande quantidade. A dose necessária para matar 50% de
um certo grupo de indivíduos (LD-50)
é de 75mg/kg. Para um adulto de cerca de 80 Kg, seria necessário
ao equivalente a algo como 150 xícaras de café. Felizmente, ainda
podemos continuar tomando nosso cafezinho, com moderação...
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