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"Todos sabem que Einstein fez alguma coisa
espetacular, mas poucos sabem o que ele realmente fez."
(Bertrand Russel)
Os leitores do QMCWEB, após 8 edições de votação
e mais de 1500 votos, elegeram Albert Einstein como o Cientista do Milênio.
Vários outros pleitos similares, feito por revistas, jornais e
televisão, chegaram a resultados semelhantes: Albert Einstein foi
eleito a personalidade do século pela revista americana
Time e obteve classificação similar na rede BBC de Londres.
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Se restam
dúvidas de que Einstein tenha sido, realmente, o melhor cientista
do milênio, ninguém discorda de um fato: Albert Einstein
foi e continua sendo o mais famoso cientista do mundo. É dele
a única equação da física conhecida em ruas
- todos sabem quem disse que E=mc2. Mesmo em vida, como
veremos, Albert Einstein já era mundialmente conhecido, respeitado
e admirado. Hoje, o nome de nenhum outro cientista retorna, nos sites
de busca na internet, tantos links: desde sites biográficos
e científicos até páginas de escolas, hospitais,
livrarias e outras instituições homônimas. Os leitores
do QMCWEB votaram e o QMCWEB #20 apresenta Albert
Einstein, O Cientista do Milênio
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Os
biógrafos de Albert Einstein se referem a 1905 como sendo
"The Miracle Year". Foi neste ano que Einstein publicou
3 artigos que o tiraram do anonimato e o elevaram ao topo da comunidade
científica.
Março
1905
Albert enviou um artigo para um dos jornais científicos mais
relevantes da época: Annalen der Physik, da Alemanha. No
artigo, Einstein apresentava uma nova maneira de se entender e interpretar
a luz. A idéia, até então, universalmente aceita,
era de que luz, como todo o espectro eletromagnético, era
constituida por oscilações do campo eletromagnético.
Einstein mostrou que luz poderia ser interpretada como sendo formada
de "partículas de energia", independentes, discretas,
oscilantes, com energia proporcional a sua frequência de oscilação.
Alguns anos antes, Max Plank havia sugerido que a energia era descontínua,
formada por pequenos "pacotes", chamados de quantum .Einstein
chamou os quanta de luz de fótons. A teoria proposta por
Einstein era a única capaz de explicar o efeito fotoelétrico,
da maneira como era observado experimentalmente
Maio 1905
No mesmo jornal, Einstein publicou um artigo explicanto o movimento
randômico observado em partículas suspensas em um líquido
(conhecido como movimento Browniano), utilizando a já conhecida
teoria de energia cinética. O modelo matemático apresentado
por Einstein explicava em detalhes as observações
experimentais dos movimentos de tais partículas.
Junho 1905
Einstein publica, no mesmo jornal, seu mais famoso artigo: o da
Teoria Especial da Relatividade. Desde a época de Galileo
e Newton, os físicos conheciam o Princípio da Relatividade:
a medida de qualquer processo mecânico seria a mesma se o
corpo estivesse em movimento a velocidade constante ou em completo
repouso. Duas pessoas podem, por exemplo, jogar ping-pong em uma
mesa sobre a superfície da Terra ou dentro de um avião,
se movendo a mais de 1000 km/h. Se não houver nenhuma turbulência,
se o avião não tiver janelas e, ainda, se a velocidade
da aeronave for constante, os jogadores não estarão
aptos a dizer se o avião está ou não em movimento.
entrentanto, de acordo com a teoria eletromagnética desenvolvida
por Maxwell e refinada por Lorentz, a luz não obedecia este
princípio. Esta teoria dizia que a velocidade da luz sofreria
efeitos do movimento. Estes efeitos não tinham, até
então, sido detectados, tanto que a maioria dos físicos
advertiam: a velocidade da luz não varia. Nesta época,
Einstein estava convencido de que o Princípio da Relatividade
deveria se aplicar a todos os fenômenos, inclusive à
luz. Para que isto fosse possível, uma nova e mais cuidadosa
consideração sobre o conceito de tempo teve que ser
feita. O tempo, que para Newton era algo absoluto e universal, era,
segundo a Teoria Especial da Relatividade de Einstein, relativo.
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CRONOGRAFIA
de Einstein:
Uma forma de conhecer melhor este cientista
é acompanhar um resumo cronológico dos principais acontecimentos
na vida de Einstein.
1879:
Albert Einstein nasce em Ulm, na Alemanha. Seu pai, Hermann Einstein,
era um vendedor de colchões de penas.
1884: Einstein ganha seu primeiro instrumento científico:
uma bússula.
1894: Os pais de Einstein se mudam para Pavia, Itália, mas
Einstein fica em Munich, Alemanha, para terminar seu primeiro grau
1895: Einstein tenta um exame para entrar diretamente na Swiss
Polytechnic, uma universidade, sem passar pelo segundo grau. Ele reprovou
no exame de artes. Segue, então, para Aarau, Suíça,
para fazer o segundo grau.
1896: Einstein consegue entrar na ETH em Zurich, uma conceituada
universidade da época. Ele tinha 17 anos.
1898: Albert se apaixona por Mileva Maric, uma colega de classe
húngara.
1900: Einstein termina a faculdade.
1901: Einstein se torna um cidadão da Suíça.
Desempregado, procura por trabalho. Ele consegue emprego em Schaffhasen,
Suécia, como professor.
1902: Mileva, grávida, se muda para a Hungária, onde
dá a luz a
Lieserl, que é posta para adoção. Albert se muda
para Bern, onde consegue um emprego no Swiss Patent Office. O pai
de Einstein morre.
1903: Albert se casa com Mileva
1904: Nasce Hans Albert, o primeiro filho do casal.
1905: "Annus Mirabilis": Einstein publica seus artigos
mais importantes (veja quadro). Nasce a
Teoria Especial da Relatividade. Ele tinha 26 anos.
1907: Einstein tenta aplicar as leis da gravidade a sua Teoria
Especial da Relatividade.
1910: Nasce outro filho: Eduard Einstein.
1911: A família se muda para Praga, onde Albert trabalha
como professor titular na German University. Einstein é o mais
novo participante da primeira conferência mundial de física.
1912: Eles se mudam para Zurich, onde Albert trabalha como professor
de física teórica na ETH - universidade na qual se formou.
1914: Einstein se torna o diretor do Kaiser Wilhelm Institute,
em Berlin, e professor de física teórica na University of
Berlin. Ele e Mileva iniciam o processo de divórcio.
1915: Einstein completa a Teoria Geral da Relatividade, com uma
nova interpretação para a teoria gravitacional.
1917: Einstein fica muito doente, quase morre. Sua prima, Elsa,
o ajuda, como enfermeira, até sua cura. Albert publica seu primeiro
artigo em cosmologia.
1919: Albert casa com Elsa. No dia 29 de maio, um eclipse solar
prova que a Teoria Geral da Relatividade de Einstein estava correta.
1922: Ele recebe o Prêmio Nobel em física de 1921.
1927: Ele coorderna a quinta conferência mundial de física
e inicia, com Bohr, a fundamentação da mecânica
quântica.
1932: Identificado como judeu, ele começa a temer os nazistas
na Alemanha.
1933: Albert e Elsa se mudam para os EUA,
em Princeton, New Jersey. Ele assume um posto no Institute for Advanced
Study.
1936: Elsa morre repentinamente.
1939: A II Guerra Mundial começa: Einstein escreve sua famosa
carta ao presidente Franklin D. Roosevelt alertando sobre a possibilidade
da Alemanha construir a bomba nuclear.
1940: Einsteins se torna um cidadão americano.
1949: Mileva morre.
1955: Albert Einstein, no dia 16 de abril, morre de ataque cardíaco.
O
cientista político
Além
de um notável cientista, Albert Einstein também foi um homem
de grande responsabilidade social. Entre suas pautas de preocupações
estava o futuro da humanidade. Por diversas vezes Einstein esteve a frente
de movimentos políticos e ideológicos.
Em 1939 vários cientistas procuraram Einstein para ajuda, não
em física, mas política: eles temiam que os nazistas alemães
construissem e usassem a bomba atômica. Einstein, então,
escreveu uma carta (clique
aqui para ler a carta) para o presidente americano Roosevelt, aconselhando-o
a agir rapidamente. Como um consultor da marinha americana, Einstein tomou
parte do time de cientistas que ajudaram os EUA a construir a bomba atômica
primeiro.
Entretanto, Einstein era totalmente contra o uso da Bomba. Ele liderou
uma campanha entre cientistas atômicos, em 1940, para re-educar
o público e os líderes mundiais sobre as implicações
da energia nuclear e a necessidade absoluta de não se desenvolver
armas nucleares. No início de 1955, Einstein trabalhou com Bertrand
Russel para iniciar um movimento entre os cientistas a fim de reverter
a Guerra Fria provocada pela corrida nuclear.
Einstein
& Deus
Em muitas ocasiões Einstein citou "Deus", ou o "Criador"
em suas entrevistas. Mas, de fato, Einstein não era um homem religioso.
Sua relação com as religiões era, de certo modo,
de pura ironia... leia alguns exemplos selecionados pelo QMCWEB:
É dele a resposta interessante a uma criança que lhe perguntou
se os cientistas rezavam, em 1936:
"Scientific research is based on the idea that
everything that takes place is determined by laws of nature, and therefore
this holds for the action of people. For this reason, a research scientist
will hardly be inclined to believe that events could be influenced by
a prayer, i.e. by a wish addressed to a Supernatural Being."
Em uma outra ocasião, Einstein disse que "Science
without religion is lame, religion without science is blind."
No seu obituário, publicado no NYTimes, uma frase sua foi reproduzida:
"I cannot imagine a God who rewards and punishes
the objects of his creation, whose purposes are modeled after our own
-- a God, in short, who is but a reflection of human frailty. Neither
can I believe that the individual survives the death of his body, although
feeble souls harbor such thoughts through fear or ridiculous egotisms."
Em 1954, Einstein se mostrou descontente com a igreja católica:
"I am convinced that some political and social
activities and practices of the Catholic organizations are detrimental
and even dangerous for the community as a whole, here and everywhere.
I mention here only the fight against birth control at a time when overpopulation
in various countries has become a serious threat to the health of people
and a grave obstacle to any attempt to organize peace on this planet."
Em busca da Teoria
Unificada
Os últimos anos da vida de Einstein.
Por volta de 1935, a teoria quantum-mecânica era mundialmente
aceita. Esta teoria, que Einstein ajudou a criar, podia descrever todos
os fenômenos físicos observados no cotidiano. Suas aplicações
incluem o transistor, o laser, a química moderna, e mais. Entretanto,
Einstein não acreditava que esta era a teoria definitiva, e passou
o resto dos seus anos a procura de uma teoria mais completa e profunda.
Morreu antes de conseguir isto.
Na teoria da relatividade de Einstein, a força da gravidade
se tornou uma expressão da geometria do espaço e do tempo.
As outras forças da natureza, como o eletromagnetismo, não
foram descritas nestes termos. Para Einstein, o eletromagnetismo e
a gravidade poderiam ser explicados em uma estrutura matemática
mais profunda e complexa. A busca por esta explicação -
por uma "teoria unificada" que uniria o eletromagnetismo
e gravidade, espaço e tempo - ocupou a maior parte da vida de Albert
Einstein.
E esta busca continua: diversos modelos matemáticos têm
surgido, tal como a teoria das supercordas, numa tentatica de unificar
as interpretações para todas as forças da natureza.
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