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o corpo humano é uma central de análises!
Em
menos de um segundo somos capazes de detectar, no ar, a presença
de substâncias em concetrações tão baixas
que nenhuma máquina construída pelo homem detectaria.
O olfato é o mais antigo - e um dos mais intrigantes - sentidos
desenvolvidos pelo homem. Nesta edição do QMCWEB você
vai saber um pouco mais sobre o olfato, quimiossensores e a relação
entre a estrutura da molécula e o odor experimentado.
| Estrutura
Química vs. Odor |
Moléculas
com estrutura química muito semelhantes podem apresentar
odores completamente distintos.
Veja os exemplos abaixo:
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maçã
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manteiga
rançosa
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alho
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cebola
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alho
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vinho
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whiskey
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pipoca
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banana
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limão
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menta
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cravo
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jasmim
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rosa |
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morango
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O
olfato depende de receptores sensoriais que respondem à presença
de certas moléculas na
atmosfera. Nos humanos, estes quimiorreceptores estão localizado
no epitélio oftactatório - um pedaço
de tecido do tamanho de um selo postal, localizado na cavidade nasal.
Este tecido é recoberto de cílios e uma camada de
muco. As moléculas gasosas são dissolvidas no muco
e, então, interagem com os receptores. Isto ativa uma enzima,
a adenilil ciclase, que cataliza a conversão de ATP
ao AMP cíclico (cAMP). O cAMP ativa um canal de Na+,
gerando um potencial de despolarização ao longo da membrana. Este
impulso é transmitido
pelos nervos olfactatórios até o cérebro, que,
computando outros estímulos sensoriais, interpreta o impulso
como um odor - muitas vezes acionando áreas da memória
que relacionam o particular odor com algo já experimentado
antes.
A substância
odorante precisa ter certas propriedades para ser capaz de provocar
alterações sensoriais: deve apresentar alguma solubilidade
em água, pressão de vapor considerável, lipofilicidade,
e massa molar não muito elevalda (em um artigo de 1967,
Demole e Wuest, na Helv. Chem. Acta., garantem não
existir nenhuma molécula odorante com massa molar maior do
que 294 g/mol). Existem cerca de 50 milhões de células
receptoras em cada uma das duas cavidades nasais. O ser humano é
capaz de distinguir mais de 10.000 espécies químicas
diferentes, baseado apenas em sua estrutura molecular.
Uma
comparação das estruturas das moléculas com
seus odores revela algumas similaridades: por exemplo, substâncias
com odor de peixes geralmente contém um átomo
de nitrogênio ligado a 3 átomos, com um par eletrônico
não-ligante: são aminas primárias, secundárias
ou terciárias, tal como dietilamina, H3C–NH–CH3
e etilamina, H2N–CH2CH3.
A indústria
alimentícia tem particular interesse em substâncias
odorantes. Os grupos mais utilizados comercialmente são os
ésteres e as gama e delta lactonas.
Diversos
grupos de pesquisa no Brasil estudam compostos que apresentam odores
ou aromas. Este é um campo promissor, pois a indústria
alimentícia depende de nós, químicos, para
a obtenção de compostos que confiram aos seus produtos
os sabores desejados.
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algumas
lactonas e seus odores
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chocolate |
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creme |
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côco
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pêssego |
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gordura |
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jasmim |
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Receptores
Sensoriais
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A
entrada de informação no sistema nervoso
central é dada pelos receptores sensoriais. Existem
basicamente cinco tipos diferentes de receptores sensitivos:
1)
mecanorreceptores: detectam deformações
mecânicas dos receptores ou de células
adjacentes;
2) termorreceptores:
detectam alterações da temperatura - alguns
detectam o frio e outros o calor;
3) eletromagnéticos:
detectam a luz na retina
4) nociceptores:
detectam lesões nos tecidos tanto físicas
quanto químicas
5) quimiorreceptores:
detectam paladar e olfato, nível de oxigênio
no sangue arterial, pressão osmótica dos
líquidos corporais, concentração
de CO2, glicose, aminoácidos, entre outros.
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Você sabia?
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Existem
várias doenças associadas ao paladar e olfato,
tal como a anosmia, que caracteriza-se pela perda completa
do olfato, ou a ageusia, que corresponde à perda total
do paladar. As maiores causas
são infecções no trato nasal, distúrbios
hormonais ou problemas com os dentes.
Existem
basicamente três sistemas de quimiossensores no nariz
e na boca. O primeiro, do olfato, confere a habilidade de identificar
odores. O segundo, do paladar, detecta o sabor, tal como doce, amargo
e azedo.
E, finalmente, existe um tipo especial de células quimiossenssoras,
localizadas na superfície do olho, gartanta, boca
e nariz, que detectam a presença de substâncias irritantes,
tais como amônia, mentol e pimenta.
Umas
das formas pela qual a respiração é
controlada é através de quimiorreceptores.
Existem dois tipos de quimiossensores respiratórios:
os arteriais
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Nariz
Artificial
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Imagine
a seguinte cena: você chega em casa e um display de
cristal líquido, na porta da geladeira, lhe informa
que o pêssego vai estragar em dois dias e que o presunto
já estragou. Ficção? Não, basta
colocar um nariz eletrônico dentro do refrigerador!
Um dispositivo eletrônico coberto de sensores químicos
que, tal como nosso nariz, é capaz de distinguir
moléculas pelo seu odor. Não existe, ainda,
algo tão bom como nosso nariz no mercado. Mas os
"narizes eletrônicos" disponíveis
já são capazes de fazer análises qualitativas
e quantitativas de várias substâncias, e já
estão atuando em diversas indústrias.
Algumas vezes menor do que um telefone
celular, um nariz artificial pode ser utilizado na indústria
automobilística (pode detectar o vazamento de fluídos
e/ou o início de um incêndio, pelo odor), alimentícia
(pode analisar a qualidade do alimento pelo odor), na polícia
(robôs farejadores de drogas e explosivos), na aeronáutica
(pode alertar sobre possíveis panes ou incêndio),
entre outros. Os sensores químicos são, em
geral, dispositivos a base de polímeros
condutores.
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,
que detectam mudanças na pressão parcial de O2
e CO2 no sangue arterial e os centrais que detectam
mudanças na pressão parcial de O2 e CO2
no cérebro.
O estímulo de tais sensores, causado por hipoxia (aumento
da pressão parcial de CO2), provoca uma elevação
do número de inspirações por minuto, assim
como na profundidade da respiração, o que leva a um
aumento da concentração de O2 e uma diminuição
do estímulo ao receptor.
Dois
químicos,
John McDevitt e Eric Anslyn, trabalhando com um engenheiro de computação
em Austin, na Texas University, construiram um chip microscópico
que atua como um quimiossensor de paladar - uma língua
artificial. Seu trabalho está no Journal of America
Chemical Soc. de 1998, na página 6429. A língua
eletrônica possui centenas de micro-esferas que mudam de cor,
dependendo do "sabor" da molécula analisada. O
produto pode ser utilizado na medicina, para testar colesterol no
sangue, para cientistas analisarem águas poluídas,
e como degustadores de comidas e bebidas nas indústrias alimentícias.
Utilizando uma "saliva" química, a língua
eletrônica será capaz mesmo de "provar" substratos
sólidos, como uma pedra, garante McDevitt.
O
composto terc-butil mercaptan, (CH3)3C–SH,
é um dos materiais, juntamente com sulfeto de dimetil, CH3–S–CH3,
adicionado ao gás natural nos butijões, para
produzir um odor característico em caso de
vasamento.
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Apenas
5 Sabores
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Somos
capazes de distinguir apenas cinco sabores: salgado, doce,
amargo, azedo e umami. Veja como:
Sabor Salgado:
O sal é o cloreto de sódio (Na+Cl-).
O Na+ entra nas células receptoras via canais de
sódio, causando uma despolarização, que se propaga pelo nervo
aferente primário.
Sabor Azedo:
A espécie detectada é o íon H+. Os íons H+
bloqueiam a entrada dos canais de potássio (K+).
Estes canais são responsáveis por manter a célula num nível
de hiperpolatização; o bloqueio destes canais causa uma despolarização,
transmitida pelo nervo aferente primário.
Sabor Doce:
Existem receptores na membrina apical que ligam-se a glucose
(sucrose e outros carbohidratos). A ligação ao receptor ativa
a enzima adenilil ciclase, elevando a concentração de cAMC,
que causa uma inibição dos canais de potássio, conduzindo
a uma despolarização da célula.
Sabor Amargo:
Substâncias amargas provocam uma liberação de Ca2+
mediada pelo segundo mensageiro (IP3). A elevação da [Ca2+]
provoca uma despolarização, transmitida pelo nervo primário
aferente.
Sabor Umami:
É o sabor de certos amino-ácidos (e.g., glutamato, aspartato,
entre outros). Recentemente, Chaudhari et al. publicaram um
artigo no Journal of Neuroscience oferencendo um mecanismo
para a ação do glutamato monossódico no paladar. Este composto
é utilizado como aditivo pela indústria alimentícia para "realçar"
o sabor dos alimentos. Os autores demonstraram que há um receptor,
o mGluR4, que media o sabor umami. A ligação a este receptor
ativa uma proteína G que eleva a [Ca2+]. Além deste,
existem receptores ionotrópicos (ligados a canais iônicos)
que são ativados por substâncias umami. Isto provoca a abertura
não seletiva de canais iônicos, aumentando o disparo no nervo
primário aferente. |
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