VIAGRATM
A molécula que revogou
a lei da gravidade. |
No
dia 27 de março de 1998, o FDA aprovou
o medicamento da Pfizer Viagra, para uso no tratamento da disfunção
erétil masculina (ED). O lançamento deste produto foi
acompanhado com grande atenção pela mídia: era
o início de uma nova era na relação sexual humana.
O que é o Viagra? Como funciona? Quais são
seus efeitos colaterais?
QMCWEB responde estas e outras perguntas para você.
O
Problema
Disfunção erétil (ED) é definida
como a inabilidade de manter o pênis ereto tempo suficiente para
permitir o intercurso sexual. O National Institutes of Health
(NIH) estima que cerca de 5% dos homens com mais de 40 anos e 25% dos
homens com mais de 65 anos tem ED. Uma pequena parcela destas
pessoas pode ter o problema resolvido com a administração
de Viagra.
O mecanismo fisiológico para a ereção do pênis
envolve a liberação de óxido nítrico
(NO) no corpo cavernoso durante a estimulação sexual.
O NO, então, ativa a enzima guanylato ciclase, o que resulta
em um aumento nos níveis da guanosina cíclica monofosfatase
(cGMP), produzindo uma relaxação muscular no corpo
cavernoso e permitindo seu enchimento com sangue. Sildenafil (o princípio
ativo do viagra) aumenta o efeito do NO por inibir a fosfodiesterase
tipo 5 (PDE5), enzima que é responsável pela degradação
do cGMP no corpo cavernoso.
A enzima
cGMP
induz ao relaxamento muscular do corpo cavernoso, causando a dilatação.
Mais sangue flui para o pênis e este aumenta de tamanho. O sangue
é "aprisionado" no corpo cavernoso. Após a ejaculação
ou retirada do estímulo sexual, a enzima cGMP é
digerida pela PDE5. Isto leva a um estado não erétil.

Como o sildenafil inibe a ação da PDE5, o estado
não erétil leva mais tempo para ser alcançado.
Antes do Sildenafenil, várias moléculas haviam sido testadas
no combate ao ED. Entre elas, destacam-se a alprostadil, a papaverina
e as xantinas (como cafeína e teofilina).
Sildenafil
Citrato
Percentagem
de pacientes que disseram ter melhorado o desempenho sexual
|
O
viagra foi originalmente desenvolvido como um medicamento contra a angina.
Era inefetivo para este propósito, mas homens que estavam testando
o medicamento relataram melhoras no desempenho sexual. Pfizer logo encontrou
um outro uso para a droga...
Sildenafil, ou 5-[2-etoxi-5-(4-metilpiperazin-1-ilsulfonil)fenil]-1-metil-3-propil-6,7-dihidro-1H-pirazolo[4,3-d]pirimidin-7-one
é sintetizado em uma reação
de 9 etapas:
1) Metilação do éster etil 3-propilpirazole-5-carboxilico
com dimetil sulfato quente;
2) Hidrólise com NaOH para liberar o ácido;
3) Nitração com ácido nítrico fumegante;
4) Formação de carboxamida com refluxo de cloreto
de tionila/NH4OH;
5) Redução do grupo nitro para amino;
6) Acilação com cloreto de 2-etoxibenzoila;
7) Ciclização;
8) Sulfonação para o derivado clorosulfônico;
9) Condensação com 1-metilpiperazina.
A fórmula empírica é C22H30N6O4S,
e o peso molecular é 474,58. Citrato de sildenafil é
um pó cristalino branco, com uma solubilidade de 3,5mg/ml de
água.
EFEITOS
COLATERAIS:
Os mais notados foram dor de cabeça, congestão
nasal, vermelhidão no rosto, infecção no trato
urinário, cólicas estomacais, dores musculares na região
pélvica. Cerca de 3% dos pacientes acusaram alterações
na visão, fotofobia, e dificuldade na discrimanção
de cores.
Estes problemas, quando presentes, eram passageiros. Os principais efeitos
colaterais, entretanto, estão relacionados com o sistema cardiovascular.
Pessoas com hiper ou hipotensão são desaconselhadas ao
uso de viagra. Existe uma forte interação do sildenafil
com muitos das drogas reguladoras da pressão arterial.
"Os boatos sobre mortes não alteraram os planos porque os dados de
segurança foram muito bem estabelecidos nos testes", afirmou Valdair
Pinto, diretor-médico do laboratório Pfizer no Brasil. Ele nega qualquer
vinculação do medicamento com a morte de um paciente em Porto Alegre.
De acordo com o médico Sérgio Yankowski, um homem de 66 anos teria morrido
em Santa Maria após manter relações sexuais sob a ação do remédio. A
médica Marilene Vargas, de Curitiba, relatou outra morte em Brasília.
Nenhum dos casos foi confirmado. "Acreditamos que a droga seja segura
e eficiente em suas indicações", anunciou em nota oficial a Food
and Drug Administration (FDA), agência americana encarregada de fiscalizar
remédios.
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