
as novidades
na ciência
| FDA
aprova o primeiro CONTRACEPTIVO em PATCH |
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Ortho Evra é o primeiro anticonceptivo feminino sob
a forma de patch
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Desde
a invenção dos métodos anticonceptivos que
a humanidade vive a chamada revolução sexual: esta
atividade deixou de estar intrinsicamente ligada à reprodução.
Através do uso de pílulas, as mulheres passaram
a ter a liberdade de escolher quando engravidar. Entretanto, muitas
mulheres acabam engravidando por lapsos de memória: esquecem
de tomar a pílula diariamente.
Um laboratório americano parece ter resolvido este problema
e superado este obstáculo: o FDA acaba de liberar o medicamento
desenvolvido pelo R.W. Johnson Pharmaceutical Research Institute:
trata-se do Ortho Evra, um sistema transdermal.
O
Ortho Evra é um método novo designado para liberar
continuamente doses de norelgestromina e etinil
estradiol (progesterona e estrogeno, respectivamente)
por um período de sete dias.
|

17a-Hidroxi-6a-metilpregn-4-eno-3,20-diona
ou Progesterona

(E)-4,4'-(1,2-dietil-1,2-etenediil)bisfenol
ou simplesmente etinil estradiol
|
A
progestina é usada mundialmente como contraceptivo
oral; associada com o estrogeno, tem a eficácia
aumentada. O dispositivo consiste de um pequeno retalho polimérico
(o patch) que pode ser fixado em várias partes do corpo
da mulher - mais tipicamente no abdômen ou nas nádegas
(O FDA sugeriu que a usuária evite utilizar sempre o mesmo
local). A técnica consiste em trocar o patch a cada sete
dias, 3 vezes durante um mês; a quarta semana é patch-free,
e é onde ocorre a menstruação.
Ao
contrário das pílulas, o patch libera doses muito
pequenas (contínuas) dos anticonceptivos, reduzindo os
efeitos colaterais. Num estudo envolvendo 1417 mulheres, em 45
clínicas americanas, o patch se mostrou mais eficaz: menos
de 10% das mulheres que usavam os patches engravidaram (5% por
esquecer de trocar o adesivo e 5% porque o adesivo havia se descolado).
Um número pequeno se comparado aos quase 30% de mulheres
que engravidaram tomando pílulas.
O fármaco já está nas prateleiras das drugstores
norte-americanas, e muitas mulheres estão optando por esta
nova forma de anticoncepção. As mulheres brasileiras,
por hora, devem se contentar com as pílulas...
___________
Saiba mais:
> Laboratório
que desenvolveu o Ortho Evra
| Cientistas
inventam POLÍMEROS MAGNÉTICOS |
Em
uma das primeiras edições do the.flash, o QMCWEB
relatou a invenção dos polímeros condutores
- tema que foi mérito de um prêmio Nobel. No mês
passado, mais uma inovação no mundo dos polímeros
aconteceu: químicos da University of Nebraska-Lincoln
(US) conseguiram sintetizar polímeros com propriedades
magnéticas - fato completamente inédito na literatura
científica.
|

O professor de química na UNL, Andrzej Rajca
|
Destaque
na última edição da revista Science,
o trabalho foi o resultado de 13 anos de pesquisa na área.
O líder do grupo responsável pelo feito, o professor
de química orgânica Andrzej Rajca, resume
o acontecimento: "There are already known organic magnets,
but they are based on crystals of small molecules. What is unique
about this research is this is the first organic polymer that
can be said to be magnetic. This was predicted more than 30 years
ago and a large volume of work has been done on this, especially
in Japan and Europe," Rajca continua. "We have worked on
this since 1988 when I was an assistant professor at Kansas State.
We essentially made larger and larger molecules with different
arrangements of unpaired electrons in order to figure out how
to make this polymer. It was a gradual approach, one step at a
time." E, finalmente, o milagre aconteceu: os polímeros
magnéticos foram preparados!
|

TOP: Estrutura de um módulo do polímero magnético
BOTTOM: Diferentes configurações magnéticas
possíveis para cada módulo no polímero
|
O
grande diferencial destes polímeros quando comparados a
polímeros convencionais é a capacidade da orientação
de seus momentos magnéticos frente a um campo elétrico-magnético;
não obstante, estes polímeros são capazes
de "lembrar" desta orientação, ou seja,
manter a configuração aplicada dos momentos magnéticos
mesmo na ausência do campo - tal como uma fita de vídeo-cassete
ou um hard drive de computador. Isto é possível
porque estes polímeros são formados por vários
módulos magnéticos, que são constituídos
por grupos aromáticos. Nestes grupos, há uma grande
densidade de elétrons em orbitais pi, que podem ser orientados
em um campo eletro-magnético. Cada módulo possui
três regiões de momento magnético distinto,
que podem ser utilizadas para armazenar a informação.
Vários
problemas, entretanto, precisam ser solucionados: estes polímeros
somente são estáveis a temperaturas muito baixas
(10K) e em atmosferas livres de oxigênio. O primeiro passo,
todavia, já foi dado.
Mesmo assim, Rajca tem cautela ao falar sobre as possíveis
aplicações para o seu novo polímero.
Para ilustrar a dificuldade da predição, ele cita
a descoberta dos polímeros condutores, por um time que
também incluiu um químico da UNL (Allan Heeger,
ganhador do prêmio Nobel). "At the time they were discovered,
people thought they could be made into very light conducting wires
that could replace metals as conductors of electricity," Rajca
lembra. "But about 10 years ago, it was discovered that they
can actually be used in a completely different way, as light-emitting
diodes, and now several companies are actively working on that
particular application. It turned out that these conducting polymers
are not competitive as conductors. The real satisfaction for us
at the moment is having made this discovery -- that it is possible
to make an organic polymer that is magnetic. This is the nature
of basic research. We try to go after something completely new,
that was not thought possible."
__________________
Saiba mais:
Internet:
> Grupo
de Rajca na UNL
Biblioteca:
> A. Rajca, J. Wongsriratanakul & S.
Rajca. Magnetic ordering in an organic polymer.
Science 2001, (294):1503–1505.
| Material
expande com o aumento da Pressão |
|

Tom Vogt (esquerda) e seu postdoc Yongjae Lee na NSLS beam
line X7A, onde eles determinaram a estrutura do novo material
|
Todos sabemos que qualquer material se contrai - ou mesmo quebra
- quando submetido a uma alta pressão. Entretanto, cientistas
trabalhando em uma cooperação internacional entre
o Brookhaven National Laboratory (US) e a School of
Chemical Sciences na University of Birmingham (UK) descobriram
algo novo: um material que se expande, isto é, fica maior
quando pressionado.
Este novo material pode ter aplicações como esponja
molecular, para "sugar" poluentes químicos ou
até mesmo lixo radioativo.
A
idéia, de acordo com Thomas Vogt, o líder
do grupo do Brookhaven no estudo, é que se um fluído
é comprimido nos nanoporos deste material ele pode ser
absorvido, pois aumenta o volume do material. O volume extra pode
permitir macromoléculas ou átomos, como os poluentes,
a entrar nos poros expandidos. "When the pressure is released
and the material contracts, the pollutant would be trapped inside,"
prevê Thomas Vogt.
Esta
descoberta estará no próximo exemplar do periódico
Journal of the American Chemical Society, assinado por
Vogt e seus colaboradores - Yongjae Lee, um postdoc no Brookhaven,
John Parise, um químico da Stony Brook University,
Joseph Hriljac, um químico na University of Birmingham,
e Gilberto Artioli, da Universidade di Milano, na Itália.
|

O novo material é um zeólito
|
Este
material é um zeólito - um sólido
contendo óxidos de silício de alumínio organizados
em uma estrutura tridimensional contendo poros regularmente espaçados.
Estes nanoporos fazem os zeólitos muito úteis para
a adsorção de pequenas moléculas, íons
ou gases - assim como uma esponja adsorve a água. A novidade
é que, sob alta pressão, estes zeólitos também
podem "sugar" moléculas maiores, como a grande
parte dos poluentes.
Usando
uma técnica chmada powder diffraction no Brookhaven's
National Synchrotron Light Source (NSLS), o time decifrou
a estrutura de seus zeólitos e explicou o caminho seguido
pelas moléculas adsorvidas. No experimento, o material
foi sujeito a uma pressão crescente (de 1 atm a até
50 katm) numa célula de diamante. Essencialmente, a amostra
é expremida entre duas pontas de diamante, e um líquido
é então transmitido à amostra. A amostra
é, então, bombardeada com um feixe de raiox-X (fótons
bastante energéticos) provindos do synchrotron. Através
da análise da difração destes fótons,
Yongjae Lee conseguiu desvendar a estrutura da amostra antes e
após o aumento da pressão. Tão logo a pressão
aumenta, o material parece comprimir - como esperado. Mas, assim
que a pressão atinge 0.8 GPa (~8 katm), o material expande
nas três dimensões. "This
is not supposed to happen," salienta Vogt. "Normally,
when you squeeze something, it's supposed to get smaller. This
stuff gets bigger." O curioso é que quando a pressão
ultrapassa 1.5 GPa o material se contrai novamente. As análises
revelaram que, durante a expansão, as moléculas
de água do fluído eram expremidas nos poros do material.
Isto
pode servir como uma armadilha para os poluentes químicos
ou radioativos. De acordo com Hrijac, "When you
increase the pressure and the material gets bigger, the pores
get bigger, too, so
we can try to get bigger ions or molecules in there, such as hydrocarbons,
mercury, lead, or even radioactive strontium. Then, when you release
the pressure, the pore would get smaller and trap the pollutants
inside."
Os estudos, entretanto, devem ser mais aprofundados para que as
aplicações deste material sejam alcançadas.
_________
Saiba mais:
> Brookhaven National
Laboratory
| A
água como combustível: agora mais FÁCIL! |
|

O futuro do hidrogênio como combustível parece
ser brilhante
|
Em
poucos anos os combustíveis fósseis serão
uma excessão: em parte, porque são não
renováveis; não obstante, representam uma das
maiores fontes de poluição humana. Em poucos anos,
o seu automóvel será movido a água.
A extração do gás hidrogênio
da água para uso como combustível não é
uma idéia nova. Ainda não é largamente
empregada porque este processo requer muita energia que, em
geral, deve ser obtida de outra fonte. Químicos japoneses
parecem ter encontrado uma solução: eles desenvolveram
um material que utiliza a luz do sol para reduzir os átomos
do hidrogênio da água. De acordo com os resultados
preliminares, logo o hidrogênio será tão
comum e disponível quanto do GLP ou gás natural.
O hidrogênio é, dentre todos, o combustível
ideal. Na combustão, oferece uma grande quantidade
de energia e não produz qualquer poluente: o produto
da combustão do H2 é
a água. Também pode ser utilizada em células
de combustível - de fato, é um dos constituintes
preferidos para tais artefatos. O hidrogênio pode ser
extraido da água, através de sua eletrólise.
Infelizmente, porém, este é um processo que requer
bastante energia que, em geral, utiliza tecnologia poluidora
e não renovável. A idéia de se utilizar
um fotocatalisador para promover a fotólise
da água não é nova; entretanto, até
agora somente catalisadores que operavam na faixa ultravioleta
da luz solar haviam sido desenvolvido, o que os tornavam pouco
eficazes. Os poucos fotocatalisadores que aproveitavam a faixa
visível do espectro solar eram pouco estáveis
e inutilizáveis. Zhigang Zou, do National Institute
of Advanced Industrial Sciece and Technology, em Tsukuba,
desenvolveu, com seus colegas, um fotocatalisador que é
muito estável, e utiliza a energia da luz solar para
"quebrar" as moléculas de água. Ainda
não é muito eficiente: quase 99% da energia solar
não é utilizada. Mas é o melhor que já
surgiu.
O
material é um óxido metálico, de Índio,
Níquel e Tantálio; Zou observou que a eficácia
depende da quantidade do níquel no material e da superfície
de contato. O estudo está só começando
e os pesquisadores garantem que, muito em breve, estarão
lançando no mercado o primeiro fotocatalisador comercialmente
viável para obtenção de hidrogênio
gasoso a partir da água líquida.
_____________
Saiba mais:
> Zou, Z., Ye, J., Sayama, K. & Arakawa, H. Direct
splitting of water under visible light irradiation with an oxide
semiconductor photocatalyst. Nature, 414, 625 - 627,
(2001).
| Despoluindo
com Bactérias |
|

Leptospirillum ferrooxidans podem ajudar na despoluição
causada pela exploração de combustíveis
fósseis
|
Enquanto
uma nova alternativa não surge, os combustíveis
fósseis ainda são a melhor opção.
Já que ainda não podemos evitar a emissão
dos poluentes relacionados a estes combustíveis, a idéia
é inventar métodos eficientes para a despoluição.
A pesquisa de "green solvents" é um dos tópicos
mais estudados, atualmente, na química analítica
e ambiental. Duas novas técnicas acabam de ser inventadas:
químicos alemães utilizam um green solvent para
remover o enxofre do diesel e químicos americanos criaram
uma bactéria que se alimenta de contaminantes encontrados
no carvão.
Quando
a gasolina, óleo diesel ou carvão queimam, os compostos
de enxofre contido nestes combustíveis se oxidam, formando
dióxido de enxofre - SO2. Este
gás é extremamente ácido, pois reage com
a água e forma os ácidos sulfídrico e sulfúrico.
É o maior responsável pelas chuvas ácidas
e pela corrosão de veículos automotores.
Andreas
Jess e colegas do Rheinisch-Westfalische Technische Hochschule
em Aachen (DE), encontraram um método novo e barato para
remover os compostos sulfonados do diesel. Eles utilizam um líquido
iônico - um sal que é líquido a temperaturas
menores do que 100 oC. Os líquidos
iônicos utilizados por Jess reagem com os compostos sulfonados
no diesel, mas são inertes ao combustível. Ao serem
misturados com o diesel, ocorre uma separação de
fase - tal como entre água e óleo. E, felizmente,
todos os compostos sulfunados saem da fase orgânica e migram
para a fase iônica. A quantidade de compostos sulfonados
residual no diesel, após extrações sucessivas,
é menor do que o limite estabelecido pela convenção
internacional. O processo inteiro ocorre à temperatura
ambiente e pressão atmosférica, o que o torna muito
mais barato que os métodos tradicionais.
Enquanto
isso, no US Department of Energy's Brookhaven National Laboratory
em Upton, New York, os químicos Mow Lin e Eugene Premuzic
estão limpando o carvão dos compostos sulfunados,
metais pesados e outras impurezas tóxicas com o auxílio
de seres microscópicos. Eles utilizam bactérias
Leptospirillum ferrooxidans, que, além de serem
capazes de viver em situações extremas: altas temperaturas
e pressões e baixo pH, são capazes de separar o
carvão de suas impurezas. Elas digerem as complexas moléculas
de carbono no carvão em unidades mais simples - tornando-o
melhor para o uso como combustível - e ainda removem os
compostos sulfonados e oturos contaminantes. O trabalho é
tão inovador que os pesquisadores já entraram com
um pedido de patente para o "negócio".
_______
Saiba mais:
> Bosmann, A. et al. Deep desulfurization of diesel
fuel by extraction with ionic liquids. Chemical Communications,
2001, 2494 - 1495, (2001).
| Contra
MALÁRIA ou CÂNCER: coma ALHO! |
|

Além de um excelente condimento, o alho também
tem vários benefícios farmacológicos.
Agora, mais dois foram acrescentados à lista.
|
Até
a falecida nona já sabia que alho faz bem para a saúde.
E a lista de benefícios médicos associados ao
alho não pára de crescer: mais recentemente,
pesquisadores canadenses descobriram que alguns compostos encontrados
no alho podem ser utilizados no tratamento da malária.
Não obstante, o modo de ação destes compostos
no organismo pode servir como uma nova estratégia no combate
ao câncer!
Ian Crandall, da University of Toronto, revelou
no último encontro da ASTMH (American Society
of Tropical Medicine and Hygiene), em Atlanta/GA, que o consumo
de alho in natura pode inibir o aparecimento da malária.
Ele garante ter evidências de que os dissulfetos, que ocorrem
naturalmente no alho e na cebola, são os compostos responsáveis.
Sabe-se que estes compostos possuem notória atividade antifungal
e antibacterial.
Crandall
e seu time testaram 11 dissulfetos sintéticos, separadamente,
no intuíto de descobrir qual teria atividade contra a malária.
Quase todos não mostraram nenhuma atividade contra o parasita
Plasmodium falciparum, mas aqueles que apresentaram atividade
contra o agente causador da malária também se mostraram
capazes de matar células cancerígenas. "We
looked at the active compounds to see what they had in common,"
explica Crandall. "Apparently, P. falciparum-infected
cells and these cancer cells seem to have the same susceptibility
profile." Ou seja: de alguma maneira, tanto as células
infectadas pelo P. falciparum como as células com
câncer sofrem com a presença destes dissulfetos.
|

Di-iso-butil dissulfeto, uma das substâncias encontradas
no alho
|
Os
resultados indicam que o modo de ação tem base no
sistema celular da glutationa. A glutationa é um
complexo enzimático que fica na membrana celular, absorvendo
agentes oxidantes dentro da célula, evitando a sua ação
deletéria. A forma ativa da glutationa é a reduzida;
cada vez que esta captura um agente oxidante, ela se oxida, precisando
ser "recarregada" pela célula. Tanto as células
cancerígenas como as infectadas por malária sofrem
uma replicação bastante acelerada - neste caso,
a recarga da glutationa precisa ser ainda mais eficaz. É
aí que entram os dissulfetos. O ajoeno, por exemplo, é
um dissulfeto encontrado no alho que é conhecido por inibir
a enzima glutathione reductase - a responsável pela recarga
da glutationa, isto é, sua redução. "Normal
cells recharge glutathione and therefore are able to deal with
the oxidative stress that normal metabolism generates,"
explica, novamente, Crandall, "but in the presence of
an inhibitor they cannot recharge and therefore are more prone
to damage and eventually death."
Além
do odor característico do alho, estes dissulfetos podem
ser mais uma arma contra a malária e o câncer!
_________
Saiba mais:
> University
of Toronto
> American
Soc. of Tropical Medicine and Hygiene