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Somos
seres protéicos: a vida está intimamente ligada
às proteínas.
Estas moléculas especiais realizam as mais variadas
funções no nosso organismo, desde o transporte
de nutrientes e metabólitos à catálise de
reações biológicas. Apesar da complexidade
de suas funções, as proteínas são
relativamente simples: repetições de 20 unidades
básicas, os amino ácidos. Nesta edição
o QMCWEB aproxima o leitor do fantástico mundo das Proteínas.
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As proteínas
são macromoléculas complexas, compostas de amino ácidos,
e necessárias para os processos químicos que ocorrem nos
organismos vivos. São os constituintes básicos da vida:
tanto que seu nome deriva da palavra grega "proteios",
que significa "em primeiro lugar". Nos animais, as
proteínas correspondem a cerca de 80% do peso dos músculos
desidratados, cerca de 70% da pele e 90% do sangue seco. Mesmo nos vegetais
as proteínas estão presentes.
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Cozinhando
proteínas
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A
Reação de Maillard
Como
saber quando uma pizza está pronta, o bolo
está no ponto ou o frango está assado?
Basta, talvez, olhar: aquele aspecto corado, dourado,
é um forte indício de que a comida está
cozida. Sabe de onde vem esta cor?! É da reação
de Maillard.
São várias as reações
químicas que deixam o alimento marrom, ou escurecido.
Pirólise, por exemplo, é um dos mais
comuns: quando deixamos o pão por muito tempo
na torradeira, ele volta preto, queimado; ocorre uma
desitratação termicamente induzida do
amido, resultando carbono (carvão) e água.
O açúcar, a 200oC,
carameliza, através de uma desitratação,
uma condensação e uma polimerização.
Entretanto, nem a pirólise ou caramelização
inclui o que acontece com o constituinte alimentar
mais importante, as proteínas.
Em altas temperaturas, os amino ácidos das
proteínas interagem com açúcares
redutores, produzindo as cores, aromas e sabores característicos
do alimento cozido. Esta reação entre
proteínas e carbohidratos foi primeiramente
descrita em 1912, por Louis-Camille Maillard - daí
o nome da reação.
Durante o cozimento, a reação de Maillard
(que envolve uma série de etapas) inicia com
uma condensação entre amino ácidos
e açúcares. Estes compostos, incolores,
se rearranjam e desidratam para formar intermediários
amarelados que, finalmente, são convertidos
para polímeros vermelhos e marrons. Um dos
efeitos positivos da reação de Maillard
é o aspecto visual de bolos, pizzas e lasanhas
quando cozidas; um negativo é o escurecimento
do leite, quando aquecido por muito tempo (tal como
no doce de leite).
A cor deriva das melanoidinas formadas pela reação
de Maillard.
A reação de Maillard também é
responsável pelo envelhecimento de nosso organismo.
Muitos químicos vêm pesquisando drogas
que interrompam as reações de Maillard
numa tentativa de minimizar os efeitos do envelhecimento
em nosso corpo.
Saiba mais:
>Usando
a lactose para dourar
>Douramento
enzimático
>Reação
de Maillard
>Envelhecimento
e a Reação de Maillard
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A
importância das proteínas, entretanto, está
relacionada com suas funções no organismo, e não
com sua quantidade. Todas as enzimas conhecidas, por exemplo,
são proteínas; muitas vezes, as enzimas existem
em porções muito pequenas. Mesmo assim, estas substâncias
catalisam todas as reações metabólicas e
capacitam aos organismos a construção de outras
moléculas - proteínas, ácidos nucléicos,
carbohidratos e lipídios - que são necessárias
para a vida.
As
proteínas também são chamadas de polipeptídeos,
porque os amino ácidos que as compõe são
unidos por ligações peptídicas (uma ligação
peptídica é a união do grupo amino (-NH2)
de um amino ácido com o grupo carboxila (-COOH) de outro
amino ácido, através da formação de
uma amida. A
ligação C-N, em um peptídeo, é especial:
é 10% mais "curta" do que uma ligação
C-N normal, e o ângulo de ligação também
é diferente do esperado para um carbono sp2.
Isto porque a ligação peptídica, na verdade,
apresenta uma estrutura de ressonância, tendo um
forte caráter de dupla ligação - explicando,
também, a rigidez desta ligação e sua planaridade.
Através destas ligações, os amino ácidos
formam cadeias longas; a maioria das proteínas tem mais
de 200 amino ácidos. Todos os amino ácidos tem,
em comum, um carbono (chamado de carbono alfa) ligado a um grupo
amino e a um grupo carboxila. Este carbono alfa é um centro
estereogênico e, com excessão da glicina (porque
não é assimétrica), todos os amino ácidos,
em todos os organismos vivos terrestres, só aparecem sob
a forma L (veja artigo "Drogas
Quirais").
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Embora sejam quase inúmeras, todas as proteínas são
formadas exclusivamente por apenas 20 amino ácidos, que se
repetem numa sequência característica para cada proteína.
Esta sequência, conhecida como estrutura
primária, é que, de fato, determina a forma
e a função da proteína. A estrutura primária
é somente a sequência dos amino ácidos, sem se preocupar
com a orientação espacial da molécula. As interações
intermoleculares (veja artigo: "Forças
Intermoleculares") entre os amino ácidos
das proteínas fazem com que a cadeia protéica assuma uma
estrutura secundária e, algumas vezes, uma estrutura terciária.
 A
estrutura secundária
é uma função dos ângulos formados pelas ligações
peptídicas que ligam os amino ácidos. Segundo a IUPAC,
"The secondary structure of a segment of polypeptide
chain is the local spatial arrangement of its main-chain atoms without
regard to the conformation of its side chains or to its relationship
with other segments". A conformação espacial
é mantida graças as interações intermoleculares
(ligação hidrogênio) entre os hidrogênios
dos grupos amino e os átomos de oxigênio dos outros amino
ácidos.
Em
geral, estas ligações forçam a proteína
a assumir uma forma helicoidal, como uma corda enrolada em torno de
um tubo imaginário.
Esta forma, a mais comum, é chamado de alfa hélice.
Outras duas formas na estrutura secundária são as beta-sheets
e turns. Nas beta-sheets, um segmento da cadeia interage
com outro, paralelamente.

"Turns" são o terceiro tipo das estruturas secundárias
clássicas, e são responsáveis pela reversão
da direção da cadeia polipeptídica.
Eles são localizados na superfície polar da proteína,
e contém resíduos com carga. Os sítios de reconhecimento
dos anticorpos, da fosforilação, glicosilação
e da hidroxilação são encontrados, frequentemente,
nos ou próximos dos turns.
A
estrutura terciária
relaciona-se com os loopings e dobraduras da cadeia protéica
sobre ela mesma. É a conformação espacial da proteína,
como um todo, e não de determinados segmentos particulares da
cadeia protéica. A forma das proteínas está
relacionada com sua estrutura terciária. Existem, por exemplo,
proteínas globulares (que tem forma esférica).
O que determina a estrutura terciária são as cadeias laterais
dos amino ácidos; algumas cadeias são tão longas
e hidrofóbicas que perturbam a estrutura secundária helicoidal,
provocando a dobra ou looping da proteína. Muitas vezes, as partes
hidrofóbicas da proteína agrupam-se no interior da proteína
dobrada, longe da água e dos íons do ambiente onde a proteína
se encontra, deixando as partes hidrofílicas expostas na superfície
da estrutura da proteína. Regiões como "sítio
ativos", "sítios regulatórios" e módulos
são propriedades da estrutura terciária.
Existe,
finalmente, a estrutura quaternária:
certas proteínas, tal como a hemoglobina, são compostas
por mais de uma unidade polipeptídica (cadeia protéica).
A conformação espacial destas cadeias, juntas, é
que determina a estrutura quaternária. Esta estrutura é
mantida pelas mesmas forças que determinam as estruturas secundárias
e terciárias. A figura ao lado mostra uma imumoglobulina que
é, na verdade, um tetrâmero, isto é, constituída
por 4 cadeias protéicas (polipeptídeos).
As
proteínas podem ser simples (constituidas somente por
amino ácidos) ou conjugadas (que contém grupos
prostéticos, isto é, grupos não amino ácidos,
tais como carbohidratos, íons, pigmentos, etc., como na figura
ao lado). A hemoglobina é um exemplo de proteína
conjugada: contém 4 grupos prostéticos, cada um consistindo
de um íon de ferro e a porfirina. São justamente estes
grupos que habilitam a hemoglobina a carregar o oxigênio através
da corrente sanguínea. As liproproteínas, tal como
LDL e HDL, são também exemplos de proteínas conjugadas
- neste caso, com lipídeos.
Uma outra
forma de classificar as proteínas é baseado na sua função.
Sobre este prisma, elas podem ser divididas em dois grupos: proteínas
estruturais e proteínas biologicamente ativas. Algumas proteínas,
entretanto, podem pertencer aos dois grupos. A maioria das proteínas
estruturais são fibrosas - compostas por cadeias alongadas.
Dois bons exemplos, nos animais, são o colágeno (ossos,
tendões, pele e ligamentos) e a queratina (unhas, cabelos, penas
e bicos).

A grande
maioria das proteínas biologicamente ativas são globulares,
e sua atividade funcional é intrínsica a sua organização
espacial. Exemplos são as enzimas,
hormônios protéicos (que atuam como mensageiros químicos),
proteínas de transporte (como as lipo-proteínas, que podem
carregar o colesterol) e imunoglobulinas (ou anticorpos), que protegem
o corpo de microorganimos invasores. Muitas proteínas biologicamente
ativas ficam na região da membrana celular, e atuam de
diversas maneiras. A figura ao lado mostra uma porina, uma proteína
trans-membrana, que atua como um canal iônico em bactérias.
Existe um "buraco" na estrutura protéica, de cerca
de 11 angstrons de diâmetro, onde os íons passam, seletivamente.
As
enzimas são uma classe
muito importante de proteínas biologicamente ativas. Elas
são responsáveis pela catálise de diversas reações
em nosso organismo. Reações que, sem o auxílio
das enzimas, jamais aconteceriam ou, ainda, gerariam indesejados produtos
colaterais. Em uma proteína enzimática, existe um certo
domínio chamado de "sítio ativo", que liga-se
ao substrato - a molécula reagente - e diminui a energia do estado
de transição que leva ao produto desejado. A ligação
entre o sítio ativo e o substrato é extremamente específica:
a molécula precisa ter certas características eletrônicas
e espaciais que permitam o seu "encaixe" com a proteína.
Por isso esta relação tem sido chamada de lock'n'key,
ou seja, chave-fechadura.
No exemplo da figura ao lado, uma determinada região da proteína
- o módulo SH2 - liga-se à tirosina fosfatada, que se
adapta ao sítio ativo da enzima tal como uma chave faz a sua
fechadura.
 
A atividade de uma enzima pode ser bloqueada pela ação
de outra molécula, um inibidor. Quando um inibidor interage com
uma determinada região da enzima, chamado de sítio regulatório,
provoca uma alteração na sua conformação
e uma desativação do sítio catalítico. A
atividade enzimática, portanto, pode ser controlada, pelo organismo,
através da liberação ou captação
de inibidores.
SlideShow
01:
Comunicação Celular
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O QMCWEB preparou um SlideShow para você, sobre
Comunicação
Celular. Entenda as bases da propagação
da informação intracelular! Clique
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A
sequência dos amino ácidos em todas as proteínas
- fator que é responsável por sua estrutura e função
- é determinado geneticamente a partir da sequência
dos nucleotídeos no DNA celular.
Quando uma proteína em particular é necessária,
o código do DNA para esta proteína é transcrito
em uma sequência complementar de nucleotídeos ao longo
de um segmento de RNA - chamado de RNA mensageiro. Este segmento de
RNA serve como uma forma para a síntese da proteína subsequente:
cada grupo de 3 nuclueotídeos especifica um determinado amino
ácido; estes amino ácidos são ligados na sequência
codificada pelo RNA. No final do processo, obtém-se a proteína
completa, cuja sequência de amino ácidos foi ditada pelo
RNA mensageiro. Desta maneira, o organismo é capaz de sintetizar
as várias proteínas com as funções mais
diversas de que precisa.
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