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Os
microchips conduziram, por décadas, a maneira com
que a miniaturização dos circuitos elétricos
foi feita. Aparelhos que antes ocupavam metade da sala hoje cabem
no bolso. Agora, seguindo a mesma tendência, novos instrumentos
e equipamentos miniaturizados estão reduzindo o tamanho
do laboratório para algo menor do que uma moeda. QMCWEB
apresenta os "lab-on-a-chip", a tecnologia
que será a nova ferramenta dos químicos.
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A
pequena peça mais parece um micro-slide do que um chip de computador.
O "chip-químico" é feito de vidro (ou um material
polimérico) e possui centenas
de micro-filamentos internos por onde a amostra líquida
passa. Estes filamentos tem apenas 50 microns de largura (um fio de
cabelo humano tem cerca de 80 microns). Vários eletrodos
são colocados em posições estratégicas
do chip. Enquanto que o chip de computador é percorrido por elétrons,
no lab-chip são moléculas, em uma solução
líquida, que cruzam os filamentos.
Basta uma pequena quantidade de amostra para que, em poucos segundos,
a análise seja feita. A amostra, dentro do chip, é misturada
com uma sonda fluorescente em um canal de mistura no chip. Como o chip
é transparente, ele pode ser colocado no caminho de um feixe
de laser e a fluorescência da solução é,
então, analisada pelo computador. O chip funciona como uma extensão
do computador, que pode ser mesmo um laptop.
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Dois
artigos de Ramsey et al.
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O QMCWEB selecionou 2 artigos científicos, da revista
Analytical
Chemistry, uma publicação da sociedade
americana de química (ACS).
O primeiro deles foi publicado em 1997: Counting Single
Chromophore Molecules for Ultrasensitive Analysis and Separations
on Microchip Devices (Anal. Chem., 70 (3), 431 -437,
1998). Neste trabalho, Ramsey e colaboradores estudaram
a apicação de um aparelho de eletroforese
em microescala para a separação de15 pM rodamina
6G e 30 pM rodamina B. A detecção era feita
pela contagem de emissão fluorescente da amostra.
Seus resultados indicaram uma perfeita e rápida separação
destas dias substâncias, que são estruturalmente
muito semelhantes.
No
ano seguinte, Ramsey e colaboradores escreveram outro artigo:
Microchip Structures for Submillisecond Electrophoresis
(Anal. Chem., 70 (16), 3476 -3480, 1998). Neste trabalho,
os autores descrevem a instrumentação desenvolvida
para micro-eletroforese, e mostram um estudo do efeito de
parâmetros como largura dos filamentos, potencial
elétrico aplicado, entre outros.
Leia os artigos, pela internet:
[artigo1]|[artigo2]
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O
experimento começa
com a injeção da amostra (cerca de apenas
1 picolitro, isto é, 1 x 10-12 L) na entrada do filamento. Campos
elétricos propulsionam a amostra através da rota predefinida,
onde recebe a adição de reagentes ou sondas, e passa por
detectores. O fluxo, no microchip, é medido em nanolitros/segundo.
Como não existem partes móveis no chip (como bombas ou
válvulas) e a dimensão dos filamentos é muito pequena,
praticamente não ocorrem turbulências, como acontece em
outros métodos de análise de fluxo contínuo.
São
vários os fabricantes que já produzem lab-chips, que
já atendem a diversas finalidades. Entre elas, destacam-se
os exemplos abaixo:
1.) Um lab-chip de eletroforese conseguiu separar as sondas fluorescente
rodamina B and diclorofluoresceína em apenas 0,8 milisegundos!
2.) A presença de derivados de amino ácidos podem ser
detectados em concentrações picomolares!
3.) Cerca de 100 análises de DNA podem ser feitas em menos de
20 minutos (uma única análise convencional consome cerca
de 8 horas!)
4.) Um lab-chip está sendo testado, em Los Angeles, como sensor
de poluentes e instalado no cano de escape de um automóvel. O
chip informa ao processador central do carro o nível de poluentes
sendo liberados a cada segundo.
As
aplicações mais promissoras, entretanto, referem-se a
testes clínicos e na
perícia criminal. O perito, por exemplo, poderia
fazer todas as análises químicas no próprio local
do crime, levando todo o seu equipamento em uma maleta. Um médico
poderá, em breve, ter todo o laboratório clínico
instalado em seu laptop pessoal.
As
grandes indústrias já estão fazendo plano para
controlar toda a sua produção com o auxílio de
lab-chips. Sensores com
estes chips poderiam ser instalados em vários pontos da empresa
e coletarem os mais diferentes tipos de informações, como
a qualidade dos produtos, emissão de poluentes, saúde
dos empregados (um sensor poderia analisar a urina deles, direto do
vaso sanitário), controle de
qualidade da matéria prima, entre outros. Como todas
as informações podem ser enviadas para um único
computador central, estas tarefas rotineiras, além de deslocar
um número menor de pessoal, seriam rápidas e precisas.
Além
de facilitar a vida dos médicos, os
novos chips irão auxiliar muito os químicos:
estes instrumentos oferecem uma série de vantagens em relação
aos métodos convencionais. Além da automatização
dos processos analíticos, irá diminuir
o contato com substâncias tóxicas, uma vez que
o volume de amostra é muito pequeno. Por isso, o custo das análises
também diminui, com uma economia de reagentes e uma produção
menor de rejeitos. Vários instrumentos que hoje ocupam boa parte
do laboratório podem ser reduzidos para versões portáteis.
O departamento de Energia do Oak Ridge National Laboratory (ORNL) já
produz versões portáteis de aparelhos sequenciadores de
DNA, eletroforese e análise quantitativa, que já estão
a venda. Segundo J. Michael Ramsey, um dos inventores da tecnologia,
"an unskilled person could carry out a very sophisticated chemical
analysis and obtain chemical information". O custo
destes instrumentos também é muito pequeno
quando comparado aos convencionais: não passam de U$ 5.000. Segundo
Ramsey, muito em breve os lab-chips serão ítens comuns
em catálogos de produtos químicos.
Além
do trabalho de Ramsey e a equipe no ORLN em micro-eletroforese, estão
surgindo também micro-aparelhos
de espectroscopia de massa (MS). Robert J. Cotter,
da Johns Hopkins University, é um dos idealizadores do projeto.
Segundo Cotter, a grande diferença entre os micro-aparelhos
de MS e os convencionais é que, no caso dos micros, a faixa
de massa analisada é menor: "the difference between
a small mass spectrometer and a large mass spectrometer is that the
large mass spectrometer can be designed to do many different measurements.
With the smaller mass spectrometer, you must choose what you want
to do", explica Cotter. Seu grupo trabalha no desenvolvimento
de micro-MS, dos tipos TOF (time-of-flight), quadropolo iônico
e ion trap. A foto ao lado mostra um eletrodo cilíndrico
miniaturizado (preto) no envólucro de plástico (branco).
A abelha é apenas para dar uma idéia da dimensão
da peça.
Em
um recente artigo na revista Nature
(Jan 28/1999), John Santini, Michael Cima, and Robert
Langer mostraram um protótipo para um microchip capaz de
armazenar e liberar 34 diferentes soluções. Na foto
ao lado, o chip (frente e costas) está próximo a uma
moeda, para ilustrar o tamanho). A liberação é
lenta e controlada por eletrodos ligados ao chip. Se ligado a uma
bateria e a um microprocessador, o chip pode ser controlado ou programado
a distância. Este aparelho pode ser utilizado para, por exemplo,
ligado a outros chips de separação e detecção,
fazer um exame de sangue ou saliva completo, em poucos segundos. Outra
aplicação é a de "drug-delivery": implantando
sobre a pele do paciente, pode liberar os medicamentos de acordo com
determinadas condições pré-programadas ou, ainda,
em função de certas anomalias no paciente detectadas
por outro micro-sensor. Neste novo chip, o reservatório é
aberto pela aplicação de uma pequena diferença
de potencial entre a saída do reservatório (o ânodo)
e um ponto logo a frente (o cátodo), o que faz com que uma
corrente de amostra flua entre os dois pontos. Este chip foi construido
no Microsystems Technology Laboratory do MIT.
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