Embora
possam existir "zilhões" de substâncias
químicas diferentes, elas são combinações
de pouco mais de uma centena de elementos químicos. Um
elemento químico é qualquer substância que não
pode ser decomposta em outras substâncias mais simples através
de processos químicos ordinários: os elementos
são os tijolos fundamentais com os quais toda a matéria
é feita. Dos 116 elementos químicos conhecidos, cerca
de 20% não existe na natureza: foram preparados sinteticamente
em laboratórios. Os elementos químicos podem se combinar
e formar substâncias mais complexas, chamadas de compostos,
que possuem características diferentes dos elementos que
o constitui. Por exemplo, dois átomos do elemento Hidrogênio
e um átomo do elemento Oxigênio podem se combinar e
formar uma molécula de água (H2O).
A água em nada se assemelha aos gases oxigênio e hidrogênio.
Os
filósofos gregos Tales, Anaximenes e Heráclitos, muito
antes de Cristo, foram os primeiros a sugerir a composição
elementar da matéria: Thales achava que o elemento fundamental
era a água; Anaximenes dizia que era o ar e Heráclitos
acrediva que era o fogo. Um
outro filósofo grego, Epédocles, disse que todas as
substâncias eram compostas de 4 elementos: água, fogo,
terra e ar. Aristóteles também pensava assim, e inclusive
atribuiu as propriedades físicas das substâncias como
derivação das propriedades elementares. Embora pareça
estranho, o pensamento grego já trazia os fundamentos da
química moderna: falava-se em elementos, compostos, substâncias...
Demócrito e Lêucipo, em torno de 400 anos A.C., criaram
o termo "átomo"
(do grego, "indivisível") para descrever o que,
na sua concepção, seriam as unidades elementares da
matéria.
Em
1661, o químico inglês Robert Boyle estabeleceu
a diferença entre elemento e substância e, em 1789,
o químico francês Antoine-Laurent Lavoiser publicou
o que pode ser considerada a primeira lista de elementos baseada
nas definições de Boyle. Nesta lista estavam citados
"sílica" e "alumina", entre outros, que
hoje sabemos se tratar de substâncias, e não elementos.
Mesmo
os antigos já conheciam 7 dos elementos químicos (ouro,
prata, chumbo, ferro, mercúrio, zinco e cobre), sendo citados
mesmo na Bíblia. Os outros elementos foram descobertos a
partir da segunda metade do século 18, quando as técnicas
de separação e caracterização foram
aprimoradas.

No exemplo acima, o Potássio reage com o Cloro para formar
KCl.
|
O
ano da descoberta dos Elementos
|
| Até
o ano 1 A.D. |
Au |
Ag |
Cu |
Fe |
Pb |
Sn |
Hg |
S |
C |
|
Alquimistas
1 A.D. to 1735 |
As |
Sb |
Bi |
P |
Zn |
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| 1735-1745 |
Co |
Pt |
|
|
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|
|
|
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| 1745-1755 |
Ni |
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| 1755-1765 |
|
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|
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|
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| 1765-1775 |
H |
N |
O |
Cl |
Mn |
F |
|
|
|
|
| 1775-1785 |
Mo |
W |
Te |
|
|
|
|
|
|
|
| 1785-1795 |
U |
Sr |
Ti |
Y |
|
|
|
|
|
|
| 1795-1805 |
V |
Cr |
Be |
Nb |
Ta |
Ce |
Pd |
Rh |
Os |
Ir |
| 1805-1815 |
Na |
K |
Ba |
Ca |
Mg |
B |
I |
|
|
|
| 1815-1825 |
Li |
Cd |
Se |
Si |
Zr |
|
|
|
|
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| 1825-1835 |
Al |
Br |
Th |
|
|
|
|
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|
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| 1835-1845 |
La |
Tb |
Er |
Ru |
|
|
|
|
|
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| 1845-1855 |
|
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| 1855-1865 |
Cs |
Rb |
Tl |
In |
|
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| 1865-1875 |
|
|
|
|
|
|
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| 1875-1885 |
Ga |
Yb |
Sm |
Sc |
Ho |
Tm |
|
|
|
|
| 1885-1895 |
Pr |
Nd |
Gd |
Dy |
Ge |
Ar |
|
|
|
|
| 1895-1905 |
He |
Eu |
Kr |
Ne |
Xe |
Po |
Ra |
Ac |
Rn |
|
| 1905-1915 |
Lu |
|
|
|
|
|
|
|
|
|
| 1915-1925 |
Hf |
Pa |
|
|
|
|
|
|
|
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| 1925-1935 |
Re |
|
|
|
|
|
|
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|
|
| 1935-1945 |
Tc |
Fr |
At |
Np |
Pu |
Cm |
|
|
|
|
| 1945-1955 |
Md |
Fm |
Es |
Am |
Pm |
Bk |
Cf |
|
|
|
O
QMCWEB apresenta um pouco de história.
Na
tabela ao lado, o ano da descoberta de cada elemento químico.
Na tabela abaixo, alguns exemplos que justificam por quê
alguns símbolos não tem, aparentemente, nenhuma
relação com o nome do elemento. E, em seguida,
dois novos elementos químicos.
Nome
em Português
|
Símbolo
|
Nome
Original |
Antimônio
|
Sb
|
Stibium
|
Cobre
|
Cu
|
Cuprum
|
Ouro
|
Au
|
Aurum
|
Ferro
|
Fe
|
Ferrum
|
Chumbo
|
Pb
|
Plumbum
|
Mercúrio
|
Hg
|
Hydragyrum
|
Potássio
|
K
|
Kalium
|
Prata
|
Ag
|
Argentum
|
Sódio
|
Na
|
Natrium
|
Estanho
|
Sn
|
Stannum
|
Tungstênio
|
W
|
Wolfram
|
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arquivo://
ELEMENTO
MAIS ABUNDANTE
No exemplar 17, o QMCWEB perguntou: "Qual é
o elemento químico mais abundante na crosta terrestre".
Foram muitas as respostas, porém poucos acertaram...
confira as 5 respostas mais frequentes:
Carbono: 23%
Nitrogênio: 18%
Água*: 15%
Ferro: 8%
Oxigênio: 7 %
Silício: 6%
Total: 354 votos
*= a água não é um elemento - e sim um
composto ou substância química, formada por dois
elementos diferentes, oxigênio e hidrogênio. Tem
muita gente que andou faltando às aulas de química...
E qual é a resposta certa???
Bem, a pergunta refere-se à crosta, somente à
crosta, terrestre - isto é, a camada superficial do
planeta que fica exposta à atmosfera. O oxigênio,
o silício e o alumínio são os mais abundantes,
e constituem cerca de 80% da crosta terrestre. Confira os
10 elementos mais abundantes na crosta do nosso planeta:
10
elementos mais abundantes
|
O
= 49,5 %
Si = 25,7 %
Al = 7,5 %
Fe = 4,7 %
Ca = 3,5 %
|
Na
= 2,6 %
K = 2,4%
Mg = 1,9%
H = 0,9%
Ti = 0,6%
|
Como a crosta tem sofrido a ação da exposição
à atmosfera por tantos anos, é natural que o Oxigênio
seja o mais abundante: todos os outros elementos formam óxidos! |
arquivo://Novos
Elementos: 118 e 116
|
|
Dois
novos elementos foram descobertos
(ou criados?)
pelo grupo de cientistas liderado por Ken Gregorich,
no Lawrence Berkeley National Laboratory, na
Califórnia.
|
No
88-Inch Cyclotron, os
cientistas aceleraram íons de kriptônio-86 a
energias da ordem de 449 milhões de elétrons-volt.
Este fluxo de íons foi colidido contra uma população
de chumbo-208. Os elementos 118 e 116 são extremamente
instáveis, e sua existência só pode ser
confirmada pela análise de seus produtos de decaimento
radioativo. A interpretação dos resultados,
indicou que o 86Kr e 208Pb se fundiram em um elemento transitório
118 (massa atômica de 293 com 175 nêutrons).
Em menos de 1 milisegundo, este elemento decaiu para formar
uma partícula alfa (2 prótons e 2 nêutrons)
e um átomo do elemento 116 (massa atômica
289 com 173 nêutrons). Eliminações sucessivas
de partículas alfa resultaram nos elementos 114, 110,
108 e 106.

I-Yang Lee, diretor científico
do 88-Inch Cyclotron, resumiu a importância deste
experimento: "From the discovery of these two
new superheavy elements, it is now clear that the island
of stability can be reached. Additionally, similar
reactions can be used to produce other elements and
isotopes, providing a rich new region for the study
of nuclear and even chemical properties."
|
43
technetium (1936)
85 astatine (1940)
93 neptunium (1940)
94 plutonium (1940)
95 americium (1944)
96 curium (1944)
97 berkelium (1949)
98 californium (1950)
99 einsteinium (1952)
100 fermium (1952)
101 mendelevium (1955)
102 nobelium (1958)
103 lawrencium (1961)
104 ruterfordium (1969)
105 hahnium (1970)
106 seaborgium (1974)
116 sem nome (1999)
118 sem nome (1999) |
Estes
não foram os primeiros elementos a serem descobertos
no Lawrence Berkeley National Laboratory. Confira,
ao lado, a lista dos elementos descobertos (nomes
em inglês) neste laboratório.
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