
Nesta edição:
Luiz Carlos Dias
Secretário Geral da Sociedade Brasileira
de Química
e editor do Boletim Eletrônico-SBQ
|
Quase
que diariamente, milhares de sócios da SBQ - Sociedade
Brasileira de Química - recebem, em seus inboxes,
o boletim eletrônico da SBQ. A SBQ é uma das maiores
sociedades científicas da américa latina. Contendo
notícias atualizadas de C&T, o boletim eletrônico
é editado e enviado pelo secretário geral da SBQ
- Luiz Carlos Dias. Um catarinense e ex-aluno do nosso departamento
de Química da UFSC, Luiz deu-nos o prazer de sua presença
aqui no QMCWEB://Entrevista. Com vocês, o professor Luiz
Carlos Dias.
QMCWEB://
Como surgiu o Boletim Eletrônico do SBQ? Quantas pessoas recebem
ele hoje e qual é a sua periodicidade?
Luiz://Pouco mais de 2000 pessoas recebem o Boletim.
Normalmente são enviados 2 por semana. O Boletim foi criado na gestão
em que o Prof. Luiz Carlos Gomide Freitas, hoje na UFSCar, era o
o Secretario Geral da SBQ. Na gestao anterior a dele, havia sido
criado o Boletim da SBQ, publicacao em papel, mensal. Gomide resolveu
entao criar o Boletim Eletrônico, para atender mais prontamente
às necessidades de comunicação da Sociedade,
encaminhar a discussão de questoes importantes, etc. Na concepção
original, o Boletim não foi pensado para a participacao de
todos os sócios, enviando mensagens a serem repassadas para
a comunidade de assinantes. A partir dai o Boletim em papel estava
perdendo espaço, em virtude da comunicação eletrônica
rápida atender muito mais aos interesses de quem está
na periferia do sistema. Durante a gestao do Gomide, o Boletim divulgava
matérias enviadas para o editor, concepção
que ele manteve até o final do seu mandato. Foi então
acertado que a edição do Boletim em papel ficaria
sob responsabilidade dividida com quem ainda acreditava na sua importância.
Com a divisão de responsabilidades da edição,
o Boletim eletrônico nunca mais saiu e hoje o boletim impresso
nao émais editado.
QMCWEB://Como
o Boletim Eletrônico do SBQ é feito? Existe mais alguém envolvido
na sua produção? De onde surgem as pautas?
Luiz://
Eu sou o único envolvido na preparação do Boletim. O Boletim, uma
lista eletrônica aberta a toda a comunidade interessada em química,
é feito com notícias enviadas pelos sócios, como divulgação de eventos,
simpósios, concursos, cursos, workshops, etc. Além disto eu freqüentemente
pego noticias da Folha de SP online, O Estado de SP, Jornal do Commercio
e outros jornais importantes. Outras noticias são retiradas do JC-E-mail,
boletim eletrônico da SBPC. No boletim mantemos sempre os sócios
a par das atividades da SBQ, principalmente de suas publicações
e da noticias relacionadas a reunião anual da SBQ.
QMCWEB://O
que é, de fato, a SBQ? Quantas pessoas, efetivamente, fazem parte
desta sociedade? De que forma a SBQ interage com a sociedade brasileira?
Qual é a vantagem, para um químico, de se tornar sócio
da SBQ?
Luiz://
A SOCIEDADE BRASILEIRA DE QUÍMICA (SBQ) foi fundada em 1977,
durante uma Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso
da Ciência. A SBQ, uma sociedade aberta à participação de profissionais
em química e áreas afins, é dirigida por uma diretoria eleita a
cada dois anos e um Conselho Consultivo.
Desde a sua criação, a SBQ vem atuando de forma expressiva no desenvolvimento
e consolidação da comunidade química brasileira, e na divulgação
da Química e de suas importantes relações, aplicações e conseqüências
para o desenvolvimento do país e para a melhoria da qualidade de
vida dos cidadãos. A SBQ tem hoje mais de 3000 sócios ativos (sócios
em dia com a anuidade), 23 secretarias regionais espalhadas por
todo o país, e 12 divisões científicas concernentes às principais
áreas da Química.
A a SBQ constitui-se em uma das maiores sociedades científicas brasileiras,
fato que por revelar sua importância, também evidencia, e até mesmo
amplia, a sua responsabilidade no cenário nacional quanto à consecução
dos seus objetivos e à qualidade das ações e atividades que vem
desenvolvendo nestes 24 (vinte e quatro) anos. Neste sentido, ao
lado da promoção de reuniões anuais que atualmente congregam, a
cada evento, a presença de aproximadamente 2000 participantes com
uma produção média de 1500 comunicações de pesquisa, a SBQ tem promovido,
outros eventos anuais sobre áreas da Química, para os quais converge
um expressivo número de participantes e de trabalhos apresentados.
Tal fomento ao desenvolvimento e amadurecimento da comunidade química
brasileira pode ser ainda evidenciado pela publicação de três revistas
pela SBQ. O Journal of the Brazilian Chemical Society - JBCS, publicado
em inglês, divulga parte substancial da produção da pesquisa brasileira
em Química nos contextos nacional e internacional, com artigos originais
de pesquisa em química. O JBCS é o periódico científico mais importante
e de maior índice de impacto em toda a América Latina na área de
química ou outra qualquer. Química Nova, editada em português e
enviada a todos os sócios da SBQ, é a revista de química mais lida
no Brasil e ocupa o terceiro lugar (JBCS é o primeiro) em fator
de impacto entre as revistas de química da América Latina. Química
Nova publica artigos nas áreas de pesquisa, educação, história da
química. Química Nova na Escola, publicada semestralmente, é especificamente
dirigida a professores que ensinam química nas escolas brasileiras.
Trata-se de uma das maiores realizações de nossa sociedade, dedicada
ao aprimoramento do ensino de química em nosso país, atingindo,
informando, atualizando e apresentando reflexões aos professores
e professoras que trabalham com educação em química.
A SBQ está em permanente contato com seus associados através da
edição do Boletim Eletrônico SBQ, uma lista eletrônica aberta a
toda a comunidade interessada em Química. A Sociedade Brasileira
de Química - SBQ estabeleceu vários acordos de colaboração com outras
Sociedades Científicas. Estes acordos têm por objetivo fortalecer
as relações entre as comunidades das ciências químicas, estimulando
o desenvolvimento de programas de cooperação e intercâmbio em áreas
como educaçao, atividades de sócios e divulgação de publicações.
Tambem tem por meta incentivar a interação e cooperação em pesquisas
básicas e aplicadas, colaborando mutuamente em atividades que promovam
os objetivos de ambas as sociedades. Para mais informacoes sobre
a SBQ, visite o site: www.sbq.org.br
QMCWEB://Algo
que é notório nas reuniões anuais da SBQ é a grande ausência de
professores de Química do ensino médio: a grande maioria dos freqüentadores
esta ligada ao mundo universitário (professores, pesquisadores e
alunos). Ao que se deve este distanciamento? Na sua opinião, por
que a SBQ nao apresenta atividades, em suas reuniões anuais, também
para este segmento?
Luiz:// A Reunião Anual da SBQ é uma
atividade mais ligada à pesquisa em química. A Divisão de Ensino
de Química recebe, além de trabalhos de pesquisa, relatos de experiência
de inovação pedagógica, mas a maioria está ligada a disciplina de
cursos superiores. Assim, mesmo garimpando em na seção de painéis,
encontraremos poucos trabalhos de interesse direto do professor
do ensino médio. Nós entendemos que a reunião, para aqueles que
participam das atividades da divisão de ensino, deva ser um espaço
de reflexão sobre as pesquisas e experiências realizadas.
Dentro
da divisão de ensino, temos nossos encontros nacionais (a cada dois
anos) e regionais (alguns anuais comos os EDEQs (no RS) e ECODEQs
(no centro oeste), em que a programação procura contemplar principalmente
os professores de química do ensino médio e fundamental. Nesse sentido,
considero importante preservar o espaço da reunião anual para o
aprofundamento de questões de pesquisa e inovação pedagógica, que
interessam mais aos professores universitários. Poderíamos prever
algo na RA para os professores de ensino médio (por exemplo, mini-cursos),
mas isso não deveria ficar a cargo apenas da Divisão de Ensino.
Veja, por exemplo a revista Química Nova na Escola, (QNESC) com
uma periodicidade semestral, e propõe-se a subsidiar o trabalho,
a formação e a atualização de professoras. Química Nova na Escola
é um espaço aberto aos educadores, suscitando debates e reflexões
sobre o ensino e a aprendizagem de química. Assim, contribui para
a tarefa fundamental de formar verdadeiros cidadãos.
Estão
disponíveis on-line, de forma totalmente gratuita, todos os artigos
publicados dos números 01 ao 10, em formato PDF: http://www.foco.lcc.ufmg.br/ensino/qnesc/index.html
Nota:
Para responder com mais clareza a esta questão, tomei a liberdade
de conversar com o Prof. Eduardo Mortimer, diretor da Divisão de
Ensino da SBQ, que me ajudou.
QMCWEB://
Você, de certa forma, esta trabalhando com a divulgação de C&T pela
internet. Como você vê esta area, atualmente no Brasil?
Luiz://
4. Está em franca expansão, isto é fato. A utilização de internet
para divulgação de ciência e tecnologia permite disponibilizar rapidamente
a troca de conhecimentos de extensão universitária. É possível levar
o conhecimento da química para a comunidade acadêmica científica
e a sociedade com um todo de maneira rápida, eficiente e atualizada.a
partir de conteúdos científicos e informações elaboradas. É possível
anunciar/divulgar seminários, conferências, congressos, etc., e,
ainda, novidades científicas de um modo bastante eficiente, permitindo
a troca de idéias e experiências sobre os mais diferentes aspectos
de Ciência e Tecnologia.
QMCWEB://
Você acredita que o uso da internet como ferramenta de ensino de
quimica é viavel? Existe alguma discussão a respeito sendo conduzida
na SBQ? Seria este mais um mercado de trabalho para o quimico?
Luiz://
Com
certeza sim, embora é claro como uma opção adicional. Há discussões
na SBQ, principalmente na divisão de ensino de química. A internet
é um instrumento poderoso e já vem sendo amplamente utilizada no
mundo inteiro, tanto para o ensino da química como para a formação
de professores. Conversei com o Prof. Eduardo Mortimer, diretor
da Divisão de Ensino da SBQ e o mesmo está preparando um projeto
para a chamada do CNPq de Educação em Ciência e Tecnologia, prevendo
a elaboração, implantação e manutenção de um portal para o professor
de química, onde ele teria acesso a um banco de dados incluindo
textos , experiências, etc. e sugestões de como organizar aulas
e unidades temáticas a partir desse banco de dados. A Divisão de
Ensino pretende implementar isso inicialmente a partir dos artigos
de QNEsc e dos Cadernos de Temáticos de QNEsc e depois ampliar para
outros materiais. Eu acho que isso sem dúvida abre mais um mercado
de trabalho para o químico. Para implementar esse portal, por exemplo,
está solicitado ao CNPq uma bolsa de recem-doutor.
QMCWEB://
Quem é Luiz Carlos Dias?! Qual é a sua formação e qual é a sua posição
atual?
Luiz://
Nasci pertinho de Floripa, em Balneário Camboriú - SC.
Fiz a graduação em Química (Licenciatura) na Universidade Federal
de Santa Catarina (UFSC) - Florianópolis - SC, concluindo em julho
de 1988. Durante a graduação trabalhei no laboratório dos Professores
Faruk Nome Aguilera e Valdir Correa, do Departamento de Química
da UFSC. Em agosto de 1988 mudei para Campinas onde iniciei meu
mestrado, mudando de programa direto para o doutorado em 1990. Completei
o doutorado em dezembro de 1993 na Universidade Estadual de Campinas
- UNICAMP.
Em
setembro de 1991 fui aprovado em processo de seleção para contratação
de um docente para o quadro PE-III do Departamento de Química Orgânica
do Instituto de Química da UNICAMP. Em junho de 1992 fui contratado
como Professor Colaborador, Nível MS-1 no Departamento de Química
Orgânica da UNICAMP. Em 1993 fui promovido para Professor Assistente
Doutor (Nível MS-3). Realizei meu Pós-doutorado na Universidade
de Harvard (1994-1995) no grupo do Professor David A. Evans onde
trabalhei na síntese total da Spongistatin C. Voltei ao Brasil no
final de 1995 e iniciei a montagem de meu laboratório de pesquisas
a partir de fevereiro de 1996. Em junho de 1998 passei a integrar
o quadro permanente de docentes do Instituto de química da UNICAMP
através de concurso publico. No final de 1999 fui promovido ao cargo
de Professor Livre-Docente nível MS-4 também através de Concurso
Público. Em janeiro de 2001 fui promovido ao cargo de professor
Assistente, nível MS-5, posição que ocupo atualmente. Fui Secretário
Geral do 8th Brazilian Meeting on Organic Synthesis (8th BMOS),
realizado no Hotel Fazenda Fonte Colina Verde, São Pedro - SP, de
7 a 11 de setembro de 1998 e atualmente dou o Secretário Geral da
Sociedade Brasileira de Química - SBQ, eleito para o biênio 2000-2002.
Para
mais informações, visite minha web-page: http://pcserver.iqm.unicamp.br/~ldias/
QMCWEB://
Você faz pesquisa quimica? Poderia nos falar sobre a sua linha de
pesquisa atual?
Luiz://
Nosso grupo de pesquisas (formado há apenas 5 anos) é dedicado ao
desenvolvimento de novas metodologias de controle acíclico em síntese
assimétrica e suas aplicações na síntese de produtos naturais derivados
de polipropionatos e poliacetatos com atividade farmacológica destacada.
Um outra linha de pesquisas é o estudo dos elementos de controle
que influenciam a estereoquímica em reações de adição de alilsilanos
quirais a aldeídos e iminas quirais. Estas metodologias estão sendo
aplicadas na síntese assimétrica de uma variedade de produtos naturais
com estruturas complexas, que possuem atividade farmacológica pronunciada.
Rotas sintéticas curtas, eficientes e flexíveis para compostos importantes
do ponto de vista farmacológico, como agentes imunossupressores,
antibióticos macrolídeos (macrolactonas), agentes antitumorais,
inibidores de HIV-1 protease, inibidores do vírus da herpes, neurotransmissores,
reguladores do crescimento de plantas e toxinas de plantas e animais
estão em andamento em nosso laboratório.
QMCWEB://O
que o Departamento de Quimica da UFSC representa, pessoalmente,
para Luiz Carlos Dias?
Luiz://
É sempre muito bom falar sobre o DQ da UFSC. Fiz e tenho
muitos amigos lá. Foram 4 anos maravilhosos, realmente. Toda a minha
formação profissional, básica em química foi construída naquelas
salas de aula, biblioteca, laboratórios, corredores do antigo CFM.
Iniciei meu curso de graduação em Licenciatura em Química no segundo
semestre de 1984 no Departamento de Química da UFSC. A partir do
segundo semestre do curso passei a integrar o quadro de monitores
(auxiliares didáticos) do Departamento sob a supervisão de dois
excelentes professores e amigos: Valmor Eretiano de Souza e Marcos
Aires de Brito. Este sistema de monitoria consistia no auxílio aos
técnicos de laboratório na preparação de soluções e reagentes para
as aulas experimentais e também participação ativa nas aulas de
laboratório acompanhando o professor e prestando auxílio aos alunos.
Cabia ainda ao monitor a correção de relatórios assim como prestar
atendimento extra-classe aos alunos dos cursos de laboratório em
turno de aproximadamente 12 horas semanais.
Na
verdade sempre dediquei quase todo o tempo livre que tinha durante
as aulas para estar na monitoria, devido a satisfação que sentia,
não só por estar ajudando outros alunos e aprendendo desde cedo
com este contato diário, mas também pelo fato de frequentar um ambiente
sempre muito rico em discussões científicas com outros monitores
e, principalmente, com os professores responsáveis. Gostaria de
salientar que a experiência adquirida exercendo as atividades de
monitoria foram, sem dúvida nenhuma, fundamentais para minha decisão
de seguir na carreira acadêmica e pelo prazer que hoje sinto dando
aulas neste Instituto.
Em
1987 deixei a monitoria e passei a trabalhar em laboratório de pesquisas
na área de Físico-Química Orgânica com o Prof. Valdir Correia do
Departamento de Química Orgânica. Durante este período tive bolsa
de iniciação científica do CNPq ( 08/87 a 07/88). Este trabalho
foi realizado no laboratório do Prof. Faruk Nome Aguilera e foi
minha primeira experiência em um laboratório de Química Orgânica.
Ao mesmo tempo em que fazia este trabalho de Iniciação científica
no laboratório participei também da preparação de alguns vídeos
sobre técnicas de laboratório em Química Orgânica. As técnicas abordadas
nestes vídeos foram cromatografia em camada fina e cromatografia
em coluna. O pessoal do DQ já me falou que estes vídeos são utilizados
ainda hoje nas aulas experimentais de Química Orgânica e Química
Geral na UFSC, sendo o primeiro contato que alunos de diversos cursos
têm com as técnicas acima citadas. Tive excelentes professores,
a Graça, Valdir Ferro (III),
Valdir Ferro (II), Faruk, Stadler, Caroli, Zucco, Ricardão,
Alfredo, Valfredo, Joussef, o Wilson Erbs, que passava um calor
comigo nas aulas de físico-química, grande Marcos Brito, meu querido
Valmor, por quem sempre tive a maior admiração e respeito pelas
várias discussões e lições de vida e outros que foram também muito
importantes.
Dá
para perceber por estes motivos que a vontade de voltar é muito
grande né?.....
|