A
pesquisa na Europa 1
Como primeiro capítulo desta longa
série, o QMCWEB apresenta a ENSCPB - treze mil metros quadrados
dedicados à ciência!
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Criada
em 1891, a Escola Nacional Superior de Química e Física
de Bordeaux está situada dentro do domínio da Universidade
de Ciências e Tecnologias Bordeaux 1, um dos mais vastos campi
de toda a europa (245 hectares). Esta universidade abriga, atualmente,
cerca de 15 mil estudantes, e possui mais de 40 laboratórios
inteiramente dedicados à química. Vale ressaltar que,
aqui na França, a palavra "laboratório"
não possui o mesmo significado do que a mesma palavra no
Brasil. Aqui, um "laboratoire" é, na verdade, um
grande conjunto de laboratórios integrados, dirigido por
um determinado grupo de pesquisadores, que fazem pesquisas em áreas
afins. No Brasil, um laboratório, em geral, refere-se ao
espaço físico, e não ao grupo inteiro. Dentro
da Bordeaux 1, existem vários prédios de Química,
entre eles o da ENSCPB.
Os números
vinculados a ENSCPB impressionam: numa área total de 13.000 m2,
esta grande escola tem sete laboratórios de pesquisa, sendo 4
deles associados ao CNRS (órgão governamental de apoio
a pesquisa na França). A escola abriga, atualmente, 300 alunos
de graduação e pós-graduação, 115
pesquisadores e/ou professores, 80 técnicos e 4 diferentes habilitações
(de grad. e pg). Com um grande desempenho perante a comunidade, a escola
possui 5 estruturas de interface tecnológica e científica
com as indústrias.
>Cursos
na ENSCPB
A escola
oferece, atualmente, 4 diferentes cursos. O primeiro é "Engenheiro
em Química e Física", que forma engenheiros polivalentes,
aptos de se integrarem rapidamente aos novos requisitos das indústrias
de tecnologia. Este curso fornece ao aluno uma boa base em química
e física, habilidades técnicas de operação
de aparelhos e manuseio de amostras, bases em gestão empresarial,
qualidade, gestão de produção, meio-ambiente,
trabalho em equipe, entre outros. Outro curso é o de "Engenheiro
das Técnicas Industrias de Materiais Especiais", que
visa a formação de um profissional apto a entrar no
mercado de trabalho das grandes empresas desenvolvedoras de novas
tecnologias.

Layout do Curso de Engenharia em Química e Física
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Ambos os cursos tem uma durabilidade, dentro da escola, de 3 anos,
intercalados com períodos de estágio em indústrias
parceiras, que pode chegar a até 10 meses. Juntos, ambos
cursos formam cerca de 90 alunos por ano. Uma boa parte destes continua
na escola, fazendo os cursos e pós-graduação;
outros, seguem para o mercado industrial, onde sempre são
bem aceitos.
A formação
de pesquisadores de ponta é outro dos cursos da ENSCPB. Atualmente,
60 alunos de doutorado e 20 alunos de DEA (o equivalente ao mestrado
brasileiro) estudam na escola. Eles estão distribuidos entre
os vários grupos existentes nos 7 laboratórios, e têm
contato com os métodos mais avançados de pesquisa na europa.
Muitos trabalham diretamente com projetos vinculados a indústrias
francesas.
Após
concluir o curso de graduação, o estudante pode optar
por obter um "Mastere Spécialisé", uma especialização
que dura 1 ano, intercalando 6 meses de ensino com 6 meses de estágio
industrial. São 4 as opções na ENSCPB: materiais,
colóides industriais, meio-ambiente e riscos industriais, e gerenciamento
de sistemas tecnológicos. Cerca de 35 alunos obtém estes
diplomas anualmente, e os estágios são feitos em grandes
indústrias, como a APAVE, ELF, CEA-CESTA, duPont, Renault, Aérospatiale
Matre e outras.
>Laboratórios
na ENSCPB
Mais
de 100 publicações científicas são produzidas,
anualmente, nos laboratórios da ENSCPB. É um número
absurdamente gigantesco, se comparado aos padrões brasileiros.
É o que produz, por exemplo, uma universidade (de grade porte)
inteira, no Brasil. Além disso, no último ano foram
incubadas 3 novas indústrias químicas, dentro da escola.
Foram desenvolvidos e patenteados, na escola, 4 novos softwares
no último ano. Nos corredores, diariamente, centenas de pesquisadores
andam, afoitos, atrás de resultados. Com dinheiro vindo tanto
do governo como do setor privado, eles encontram todas as condições
favoráveis possíveis para fazer ciência - mais
uma vez, o grande contraste com a realidade brasileira...
>>LCPO - le Laboratoire de Chimie des Polymères Organiques
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É
a este laboratório que o editor do QMCWEB está afiliado
- é por isso que o QMCWEB tem sido editado diretamente da
França. Este laboratório é um centro de pesquisa
mista entre a ENSCPB, o CNRS e a Université Bordeaux 1. Possui,
atualmente, 19 professores pesquisadores, 22 doutorandos e 8 pós-doutorandos,
além de vários alunos de DEA, que fazem ali seus estágios.
O laboratório é formado por vários grupos diferentes,
que pesquisam a química dos polímeros orgânicos.
Tudo é interligado: alguns grupos são especialistas
em síntese de polímeros (ou, como se auto-entitulam,
engenheiros de macromoléculas). Ali, são preparados
polímeros diversos, diblocos, cíclicos, ramificados,
estrelados, enfim, o que há de mais moderno na ciência
dos polímeros. E, então, outros grupos estudam a físico-química
destes polímeros, seus comportamentos em soluções,
suas propriedades, suas características e qualidades mecânicas,
etc.. O laboratório possui grandes parceiros, tal como a
BASF, BP Chemicals, Procter & Glamber, Solvay, ADEME l'Aérospatiale,
e outros.
Em uma próxima edição, o QMCWEB irá
mostrar com detalhes como é a rotina dentro do LCPO.
>>PIOM
- Le Laboratoire de Physique des Interactions Ondes-Matières
Um
laboratório dedicado ao estudo de semicondutores, condutores
e supercondutores: o estudo das propriedades de materiais frente
a ondas elétro-magnéticas. Este laboratório
é um centro de pesquisa mista entre a ENSCPB, o CNRS e a
Université Bordeaux 1.O PIOM é um laboratório
de renome internacional, e muitas tecnologias patenteadas, hoje
utilizadas pelas indústrias aeroespaciais e eletrônicas,
saíram do PIOM. Além de grandes empresas ligadas aos
ramos eletrônicos, vários centros de pesquisa de combate
ao câncer também financiam o PIOM, uma vez que muita
tecnologia de radioterapia já foi desenvolvida neste laboratório.
No lab, existem 17 professores pesquisadores, 7 doutorandos e 3
pós-doutorandos, além de vários DEA estagiários.
>>LACReM
- Le Laboratoire d'Analyse Chimique par Reconnaissance Moléculaire
O desenvolvimento
de novas tecnologias para a análise química é
o principal objetivo do LACReM. A pesquisa deste laboratório
é voltada a técnicas de discriminação
molecular, detecção eletroquímica e sistemas
supramoleculares fotoativos. É o único dos laboratórios
que pertence exclusivamente ao ENSCPB. Embora seja um dos menores
- possui apenas 9 professores pesquisadores e 5 doutorandos, é
um dos que possui o maior número de indústrias finaciadoras:
Asta Medica, Hoechst, Merk, Roussel, Reckitt & Collman, e muitas
outras. Seus avanços tecnológicos encontram aplicações
imediatas nas indústrias biotecnológicas e de química
fina.
>>MASTER
- Le Laboratoire de Modélisation Avancée des Systemes
Thermiques et Ecoulements Réels
São
diversas as etapas industriais que envolvem processos térmicos;
passos como a secagem de grãos ou a moldagem de peças
plásticas. O MASTER se especializou em criar modelos dinâmicos
para todas estas etapas. O grupo pesquisa a mecânica de fluídos,
processos térmicos e a energia de micro-ondas. Como a demanda
industrial é sempre grande, o laboratório têm
atuado exaustivamente jundo às empresas. É deles a
maior parte dos softwares já produzidos no ENSCPB, sendo
que estes referem-se à modelagem ou ao controle de processos
térmicos.
>>IDS
- Le groupe de recherce en Ionique Du Solid
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Olhe
a sua volta e verá exemplos de aplicações imediatas
de compostos iônicos no estado sólido: as pilhas para
a calculadora, a bateria do celular, os transístores de seu
rádio ou mesmo as placas coletoras de energia solar. O desenvolvimento
de novos materiais para pilhas e acumuladores é o principal
objetivo do IDS. Com 10 professores pesquisadores e 8 doutorandos,
o grupo pesquisa eletrólitos sólidos amorfos, materiais
para a intercalação, acumuladores e microacumuladores.
Este é um laboratório misto da ENSCPB, ICMCB (outro
prédio de Química dentro da Bordeaux 1) e a própria
Bordeaux 1.
>>Le Laboratoire de Physico-Chimie des Hautes Pressions
(IHP)
Um grupo também instalado na ENSCPB, o IHP tem parcerias
com a SHELL, com a Thomson, a BASF e outras empresas. O laboratório
estuda aplicações de sistemas de alta pressão
nas ciências geológicas (extração de
petróleo e minérios) e biológicas (processos
agro-alimentares e farmacológicos). O grupo faz síntese
e estabilizadação de novos materiais, e possui 7 membros
permanentes e 3 doutorandos.
>>Le Laboratoire Colloïdes
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A tecnologia
das emulsões: um campo extremamente aplicado, este laboratório
desenvolve e analisa emulsões por criofratura. É o
menor grupo do ENSCPB, com apenas 3 membros permanentes. Existe
através de parcerias com o CNRSS, Université Bordeaux1,
com o LCPO e com o Centre de Ressource en Microscopie Electronique.
>>Institut Européen de Chimie et Biologie (IECB)
Um dos
mais conhecidos laboratórios da ENSCPB, o IECB é um instituto
misto com l'Ecole Polytechnique, a Université Bordeaux 1 e a
Université Victor-Segalen Bordeaux 2. O laboratório é
grande e bem equipado, e faz síntese de moléculas orgânicas
com atividade biológica, e estuda o modo de ação
destas moléculas no organismo. Compreende 3 diferentes polos
de pesquisa: modelagem molecular, biofísica estrutural e síntese
orgânica. Tem 10 professores/pesquisadores permanentes, e 10 doutorandos
e pós-doutorandos.
>
Mecanismos de interface entre a escola e a comunidade
Além
de laboratórios, a ENSCPB também possui órgãos
cuja finalidade é garantir a interface entre a escola e a comunidade
e/ou setor empresarial. Entre estes órgãos, está
o PolymerExpert, que é uma espécie de consultoria especializada
na tecnologia de polímeros. Grandes empresas, como o Basf, ELF,
DuPont, Rhodia e outras, são usuárias deste serviço.
O órgão fornece assistência técnica, desenvolvimento
de novos produtos e caracterização de polímeros.
Outro mecanismo é o Atelier Micro-Ondes & Matériaux,
que é especializado no domínio de radiofrequência
e micro-ondas. O órgão atende diversas indústrias,
solucionando problemas relacionados à caracterização
de materiais dielétricos, magnéticos e condutores, ao
aquecimento por micro-ondas e outras frequências. O grupo também
monta protótipos e avalia procedimentos industriais.
Um dos destaques dos mecanismos de interface é a Juniors Industrie
Chimie Service (JICS), que é uma incubadora de empresas de química
que funciona dentro da escola. Os alunos são motivados a se tornarem
empreendedores ou prestadores de serviço, e o JICS conta com
um plantel de mais de 200 engenheiros de química e física.
Solucionando problemas industriais, de automação e caracterização,
os alunos têm contato direto com a vida na indústria e,
muitas vezes, saem da escola com a sua própria empresa. Da mesma
forma, existe o AGIR - agro-alimetaire innovation recherche, que é
um órgão especialista no domínio agro-alimentar.
Como a região de Bordeaux tem boa parte da economia baseada na
agricultura e, aqui, os agricultores investem muito na pesquisa, o campo
de ação do AGIR é imenso.
Todo a
ENSCPB está situada em um prédio de 3 pavimentos.
E, mesmo num espaço tão reduzido, dá para se
perceber a grande diferença que existe na forma em que a
ciência é feita na europa, quando comparado ao Brasil.
Em nosso país, o incentivo governamental para a pesquisa
é muito pequeno. Estamos muitos anos atrás dos países
de primeiro mundo. O triste é saber que, ao menos a médio
prazo, esta situação não irá mudar.
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Saiba mais:
> site
da ENSCPB
> site da
Université Bordeaux 1
> site do CNRS
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